palavra do presidente
  • História marcada por desafios e conquistas
  • História marcada por desafios e conquistas
  • O trabalhador da Construção Civil foi o principal responsável pela transformação da cidade de São Paulo numa das cinco maiores do mundo.
    No cenário dessa metrópole, não há um prédio, uma rua, uma obra de saneamento básico, um tijolo assentado, que tenha deixado de contar com a raça e o suor do pedreiro, do encanador, do eletricista, do pintor, dos administrativos...
    Queremos, nesse espaço, contar um pouco da saga de tão valiosa categoria pelas lentes de seu Sindicato.
    Com isso, esperamos prestar devida homenagem a tantos heróis de uma classe de trabalhadores que executam suas atividades num ambiente hostil, permanentemente sujeitos a acidentes que matam ou mutilam suas vítimas.
    O ponto de partida de tão longa estrada pode muito bem ser fincado em 1899, pouco antes do início do século 20, quando a São Paulo de Piratininga não passava de uma Província dominada pela agricultura e pelos barões do café.

    sintracon 80

    (Histórica foto da construção da Estação da Luz, SP, em 1899)


    Naquele ano de 1899 foi criada a Light, trazendo a novidade de uma nova força, de uma força estranha: a energia elétrica.
    Foi como se um disco voador houvesse pousado na Avenida Paulista de nossos dias.
    Bondes, que eram puxados a burro, passaram a ser movidos à base de eletricidade. E o paulistano tinha receio de entrar nele, por medo do desconhecido, de ser eletrocutado.
    O choque de uma nova era havia chegado ao ponto. E, tijolo por tijolo, num desenho lógico, iria transformar a São Paulo de Piratininga no maior parque industrial da América Latina.
    Mas, para que a eletricidade pudesse ser produzida, era necessário construir usinas de energia, através da energia do ser humano.
    Coube ao operário da Construção Civil fazer, quase que artesanalmente, a Usina Termoelétrica de Piratininga, na região do bairro de Santo Amaro e, duas décadas depois, a Usina Henry Borden, na Baixada Santista.
    Os recursos tecnológicos eram rudimentares. As obras precisaram ser feitas na unha, com operários escavando rochas, sem ferramentas adequadas, sem equipamentos de proteção e sem qualquer sindicato para zelar por seus interesses, o que não evitou a deflagração de uma das primeiras greves da história do Brasil: a de 780 trabalhadores da empresa Stone Webster, na Usina Piratininga, com 25 dias de duração.

    sintracon 80 1

    (Fachada do Edifício Alexandre Mackenzie, sede da Light, em São Paulo)


    Não foi por acaso, portanto, que a primeira iniciativa do trabalhador da construção enquanto categoria acontecesse no município de Cubatão, liderada por operários do setor que trabalhavam na Usina Hidrelétrica de Henry Borden.
    Documentos sobre isso são parcos. Mas ficamos com a palavra de uma pessoa extremamente representativa para todos nós, Abel Pereira, falecido quando já beirava os cem anos.
    Segundo Abel, o embrião desse movimento teria migrado para o bairro de Santo Amaro, onde os operários da construção começaram a fazer a Represa Billings.
    Sim, pois alimentada pelas águas do Rio Pinheiros a Billings nasceu do homem.
    Ainda de acordo com as memórias do nosso querido e saudoso Abel Pereira, a sede do Sindicato dos Trabalhadores da Construção teria se instalado em vários pontos da Capital paulista: Rua Florêncio de Abreu, Rua Tabatinguera, Rua das Carmelitas e Rua da Glória.
    Na memória lúcida de Abel Pereira, a história demonstra que os funcionários da Construção Civil da Light deram início aos primeiros passos daquela que viria a ser uma das maiores categorias do nosso País.
    Eles foram responsáveis diretos pela instituição da primeira Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, a CIPA. O motivo? Fazer frente ao grande número de vítimas fatais das megaconstruções das usinas hidrelétricas, que, aliás, não foram oficialmente registradas.
    Quem usa hoje crachá de identificação, comum a toda e qualquer organização, não sabe. Mas o crachá foi criado para identificar corpos esfacelados nos constantes desmoronamentos, especialmente durante a construção da parte subterrânea de Henry Borden, feita nas rochas da Serra do Mar para escapar da destruição que acompanha as guerras.
    Foi um percurso longo, duro, de muita luta, até que o nosso Sindicato, já oficialmente reconhecido pelo governo, passasse a ter, em 1946, a sua sede própria na Rua Conde de Sarzedas, número 304, durante a gestão do saudoso Pedro Pereira do Nascimento.
    Os mais atentos haverão de dizer que o número, 304, está errado, pois o Sintracon-SP está localizado no número 286 da Rua Conde de Sarzedas.
    Mas não há equívoco algum. A sede própria de 1946 funcionava num sobrado contiguo ao terreno onde seria edificado o prédio atual, concluído em 1974, já na vigência do regime militar.
    O eminente jurista José Carlos Arouca corrobora a noção de um sindicalismo clientelista durante a ditadura.
    Segundo Arouca, a intervenção pelos militares nos sindicatos afastou toda e qualquer possibilidade de lutas reivindicatórias, impondo o assistencialismo e despolitizando a sociedade.
    Não é por acaso que, após o golpe militar, o Sindicato da Construção implantou ambulatórios médicos e odontológicos, construiu um prédio grande, com arquitetura arrojada e, 14 anos depois, teve as obras de sua Colônia de Férias, em Itanhaém, concluídas.
    Vale aqui ressaltar que a ditadura militar não feriu apenas as liberdades democráticas de um povo. Também deu um rude golpe na memória, destruindo o passado como se fosse inimigo de seus intentos.
    Quando assumimos o Sindicato, rapidamente procuramos restabelecer a verdade dos fatos.
    Assim procedemos ao procurar os companheiros perseguidos pela ditadura e exilados de cidadania por tão pérfido período.
    Trouxemos muitos deles de volta ao Sindicato. Com sua experiência, nortearam as lutas de uma categoria que, além da dura lida diária, eram tratados de forma preconceituosa.

    sintracon 80 3
    Assim agindo, a ordem das coisas foi restabelecida. As lições do passado passaram a jogar luzes sobre o presente e projetar um futuro de merecida inserção social, com melhores salários e condições de vida a quem, de fato, jamais deixou a capital bandeirante parar.
    A Diretoria do nosso Sindicato decidiu, então, fazer um livro que pudesse expor a história da categoria e servir de exemplo a estudantes, trabalhadores e acadêmicos.
    O livro, denominado “A Construção de uma Categoria: A História do Sintracon-SP", foi escrito por Claudio Blanc, com expressivo sucesso de vendas nas livrarias.
    A publicação, que pode ser adquirida até hoje na sede do nosso Sindicato é prova de que a atual Diretoria do Sindicato cultiva sim as lições do passado, atuando, sem tréguas, para melhorar as relações entre o capital e o trabalho, fazendo girar a roda do desenvolvimento, com mais produção, qualificação de mão de obra, mais crescimento, mais trabalho e renda.
    Por fim, gostaríamos de agradecer o minucioso trabalho de pesquisa de Humberto Gomes dos Santos, grande ativista político e colaborador do Sindicato.
    Betinho, como era conhecido, faleceu de câncer. A doença não lhe deu tempo de ver impressa uma de suas maiores contribuições à classe trabalhadora pela qual tanto lutou.
    O século passado foi, portanto, recheado de problemas sociais.
    Quando assumimos, no finalzinho do século passado, a categoria experimentou grandes avanços.
    Com mobilização e o amadurecimento político, fez frente aos patrões, impondo suas reivindicações mais e mais.
    Exceto nos últimos dois anos, quando a crise que afeta o nosso País estourou, sucateando a indústria da Construção Civil, conseguimos, nos 12 anos anteriores, consecutivos aumentos reais para a categoria.
    Os benefícios, que representam salário indireto, também se sucederam, entre eles, o café da manhã, o lanche da tarde, o cartão Amigo do Trabalhador, a disponibilidade de duas mudas de uniformes, vale-alimentação, vale-refeição, participação nos lucros ou resultados das empresas e assim por diante.
    O grau de mobilização pode ser comprovado pelas greves que, liderados pelo Sintracon-SP, os trabalhadores fizeram ao longo das últimas décadas, amplamente vitoriosas.
    O Sintracon-SP completa 80 anos. Parabéns a você, companheiro, que é a razão de existir de tão nobre entidade de defesa dos trabalhadores.


    Ramalho da Construção
    Presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo

  • SINTRACON-SP
  • Sindicato dos trabalhadores nas
  • Industrias da Construção Civil de São Paulo
  • Rua Conde de Sarzedas,286
  • CEP:01512-000
  • Centro-São Paulo-SP
  • Fone: 11 3388-4800
  • Fax: 11 3207-4921
  • contato@sintraconsp.org.br