68% querem o impeachment de Dilma

Nessa entrevista, o presidente do Sintracon-SP, Antonio de Sousa Ramalho, o Ramalho da Construção, que também é deputado estadual pelo PSDB de São Paulo, analisa os dados da última pesquisa divulgada pelo instituto DataFolha. Para ele, o resultado condiz com a realidade brasileira.
Saiu uma nova pesquisa do Instituto DataFolha sobre a situação do governo de Dilma Roussef. O que o senhor tem a comentar sobra ela?
R. Na qualidade de sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP, estou em permanente contato com a sociedade e os bastidores da política. Vivo, portanto, a realidade brasileira, já que o estado bandeirante reúne gente de todos os lugares do País e do mundo.
Já esperava o resultado de 68% de pesquisados a favor do impeachment. Aliás, esperava até mais.
Especialmente em seu segundo mandato, Dilma trocou os pés pelas mãos. Seus atos foram desastrosos política, social e economicamente.
Se há uma coisa que o povo não tolera é ser traído. A presidenta, ainda em sua campanha, prometeu mundos e fundos, especialmente no que diz respeito aos direitos dos trabalhadores, nos quais afirmou sua disposição de neles não mexer nem que a vaca tossisse.
Mexeu. Traiu. Cometeu estelionato eleitoral. Afora isso, a inflação e o desemprego começaram a crescer indiscriminadamente. E as instituições democráticas começaram a se embaralhar pela falta de comando de Roussef. Daí a esmagadora falta de credibilidade e apoio ao governo petista se implantou. Tanto é que a avaliação do governo é ruim ou péssima para 69%, conforme o DataFolha.
Em sua opinião Dilma deveria renunciar?
Eu diria que não só em minha opinião, pois, segundo o DataFolha, 65% dos entrevistados julgam a renúncia como a melhor saída. A nomeação de Lula como ministro da Casa Civil acabou sendo um tiro no pé do governo. Gravações demonstram que tudo foi concebido para livrá-lo das garras de Sergio Moro. Aí entra outro conceito que a sociedade brasileira execra, ao lado da traição, que é a covardia.
47% opinam que Dilma não vai ser afastada de seu cargo. 46% acham que sim. Esse empate técnico demonstra que a população ainda está longe de confiar nas instituições do País. Acreditam piamente no malandro jeitinho brasileiro, finamente tecido com pespontos de hipocrisia.
E o Lula nisso tudo, perde ou ganha?
R. É necessário dizer que o ex-presidente, agora ministro informal, ou sei lá o que seja, é um articulador de primeira ordem. Sabe falar a língua do povo e dos políticos. Mas, pela pesquisa, ele perdeu com todo esse casuísmo. Pelo Instituto DataFolha, seu percentual de rejeição atingiu o maior patamar de sua biografia, ou seja, de 57%.
Isso se explica. Questionados sobre o que consideram ser a principal motivação de Lula ao assumir um ministério, 68% dos entrevistados responderam: ter foro privilegiado na Operação Lava Jato.
Já sobre se Dilma agiu mal ao convidar Lula para a pasta, 73% foram taxativos: sim, agiu mal.
Muitos dizem que o objetivo de tanta manobra política é a de acabar com o Sergio Moro e a Operação Lava Jato. O que o senhor pensa a respeito?
R. Estou convicto que sim. Mas tal intento não será nada fácil. Primeiro pela lisura de Moro, segundo pelos dados divulgados pelo Instituto DataFolha.
Ao serem perguntados se o juiz Sergio Moro agiu bem ou mal ao obrigar o Lula a depor na Polícia Federal no último dia 4 de março, 82% disseram que sim. Claro como água, não é mesmo?
Qual o maior paradoxo que o senhor, pessoalmente, vê nesse momento?
R. O de que empreiteiras da Construção Civil desviaram bilhões em propinas para manter uma administração corrupta enquanto seus trabalhadores, aqueles que efetivamente põem a mão na massa e constroem a Nação, são obrigados a ganhar salários de fome.

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