#acordagoverno

“Cada ‘tauba’ que caía, doía no coração”. O grande compositor Adoniran Barbosa, em “Saudosa Maloca”, foi profético quanto ao Brasil de nossos tempos.
Ontem, ainda comovido pelo acidente que vitimou a esmagador maioria do time da Chapecoense, além de dirigentes e jornalistas, o povo recebeu desabonadoras notícias da Corte Régia, instalada no planalto central, lá em Brasília.
O PIB perdeu mais uma “tauba”. Sofreu a décima queda consecutiva. E o número de brasileiros desempregados ultrapassou os 12 milhões.
É certo que o governo Temer pegou uma bucha daquelas, coalhada pelas incompetências da administração petista.
Como se diria no boxe, Temer está no córner neutro, ouvindo a contagem que não pode chegar a dez, caso contrário será decretado o nocaute do País.
Nas ruas, o povo derrubou Dilma. Temer assumiu. Mas estaria ele e seus pares de Ministério aptos a, com um golpe certeiro, equilibrar a luta?
Tenho minhas dúvidas. Os próprios índices mencionados acima provam que não, pois nenhuma das propostas anunciadas pelo governo até agora está sendo capaz de estancar a hemorragia da crise, que recai sobre os trabalhadores e as famílias mais pobres e humildes.
Como diz meu amigo e companheiro sindicalista Miguel Torres, dos Metalúrgicos, “o governo federal está atirando para tudo que é lado sem mirar o ponto que vai, de fato, ajudar o País a retomar sua produção, ou seja, atrair investimentos e começar a gerar emprego e renda, fundamentais para o processo de retomada do crescimento”.
Penso que a nossa sociedade está esgotada de ser o principal alvo das ações governamentais, todas nefastas, diga-se.
Na Corte, se discute novas punições a quem paga seus impostos, trabalha e absolutamente nada tem a ver com tanta bandalheira.
Tecnocratas que nunca pisaram num canteiro de obras ou no chão de uma fábrica querem flexibilizar a legislação trabalhista.
A pergunta não cala: É para o bem do povo? Não. O objetivo se limita a tirar direitos do trabalhador, dificultar acesso à aposentadoria, manter os juros altos e defender projetos que congelam investimentos em saúde e educação, moradia e saneamento básico.
Ora, senhores mandatários, assim, o Brasil para. Ou pior: fica que nem burro de olaria, dando voltas circulares, sem sair do lugar.
Não sou de torcer pelo quanto pior melhor. Mas a areia continua escorrendo na ampulheta, registrando o tempo que passa e não tem volta.
 
Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

 

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