Artigo – CPI pode abrir a caixa preta da Previdência

Notícia boa. Acaba de ser instalada, por iniciativa do senador Paulo Paim (PT-RS), a CPI da Previdência Social. E cá entre nós: quem não quer saber o conteúdo da caixa preta de um avião que, segundo o governo federal, caiu verticalmente por não suportar suas dívidas estratosféricas?
 
É certo. A CPI está coalhada de governistas. Mas o povo brasileiro espera que a verdade das contas da Previdência, cujo dinheiro é seu por direito, venha à luz. Sim, pois muita gente, assim como eu, ainda não têm subsídios concretos para fazer uma análise com isenção.
 
Paulo Paim, cujo trabalho sempre admirei, garante que a análise das contas da Previdência será feita sem viés ideológico, com objetivo de dar transparência às receitas e despesas do órgão. Que assim seja.
 
O senador sempre bateu na tecla que, na realidade a Previdência é superavitária.
 
“Vamos investigar a questão de má gestão e da falta de fiscalização. Vamos mostrar quem são os sonegadores, quem são os corruptos, para onde vai o dinheiro da GRU [Guia de Recolhimento da União]”, afirma Paim.
 
A verdade, minha gente, é que mais de R$ 100 bilhões foram tirados do trabalhador e embolsados pelo empregador. Disto estou certo, pois quem trabalha desconta de 8 a 11% do bolso e o empresário, salvo raras exceções, além de não pagar a parte de tributos dele, ficou com a parte do empregado.
 
“Vamos levantar as 500 maiores empresas devedoras, porque há uma dívida de 426 bilhões aí. Queremos saber por que o governo deu anistia indevida a alguns setores, por que abriu mão da contribuição de 20% do empregador e passou para 1,5% ou 0,5%. Nós queremos saber para onde vai o superávit da Previdência”, salienta Paim. E finaliza, em entrevista à revista Carta Capital, com uma pergunta crucial: “Por que decidiram analisar especificamente o déficit da Previdência e não o da Seguridade Social como um todo?
 
Aí eu respondo, caros companheiros: porque é sabido que nem todos os impostos que deveriam ser revertidos para a Seguridade foram feitos de fato.
 
Se não houver pressões e manobras de bastidores, estou certo de que o neoliberalismo selvagem do atual governo sofrerá um choque de realidade.
 
 
Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

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