Artigo – Crédito para as famílias supera pela primeira vez o concedido às empresas

Sistema bancário é aquela coisa. Se está fazendo sol, ele lhe empresta um guarda-chuva. Basta o tempo mudar e ficar tenebroso como céu de crucificação, sem qualquer pudor o banco vem e toma o guarda-chuva.
 
Banqueiro não tem ideologia. O lucro é seu objetivo único de vida. No Brasil, em seus poucos mais de 500 anos, se portou do mesmo jeito, seja na monarquia, na república, na ditadura, no regime democrático etc. etc…
 
Leio, na mídia, a grande novidade: com vendas em queda e restrições dos bancos, a fatia das empresas no mercado de crédito caiu de 52,62% em 2016 para 49,07% em janeiro, enquanto a das pessoas físicas subiu de 47,38% para 50,93%.
 
Vale ressaltar que o fato está acontecendo, sempre de acordo com a mídia, pela primeira vez na história.
 
Como traiçoeiros crocodilos, submersos na lagoa, os banqueiros, obviamente, pressentiram certa mudança de ventos. E içaram velas a favor do oportunismo.
 
Para o professor do Instituto Brasiliense de Direito público, José Roberto Afonso, o resultado é muito estranho:
 
“Fere a história e a lógica, já que o estoque de financiamentos para empresas nunca tinha sido superado pelo de pessoa física. O crédito para pessoa jurídica decresceu, literalmente derreteu, caindo muitos pontos do PIB em um período muito curto”, diz Afonso.
 
Quem comanda a cadeia de produtividade e emprego é a indústria, a pessoa jurídica. Se ela, como estamos acompanhando, está tomando pau até do Íbis, o pior do mundo, significa que há algo de podre no reino.
 
Não duvido que seja uma resposta a uma estratégia usada por donos de empresas em dificuldades, que buscam crédito como pessoa física para usar nos negócios. São espertos para tanto.
 
Resta a pergunta: De quem é a culpa do ineditismo ora visto?
 
A resposta é simples. A culpa é do governo que, enquanto não desatar o nó do crédito, vai impedir a recuperação plena da economia brasileira.
 
Mas o governo que aí está não pensa em nada que não seja tirar direitos da classe trabalhadora. Fora isso, não enxerga um palmo à frente do nariz. E assim segue a nau Brasil, infelizmente.
 
Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

 

siga-nos