Artigo – Empresários se articulam para influenciar eleições

Amigos, amigas, o capital nunca para de pensar em si. E, ao pensar em si, sempre age em detrimento do trabalho, como garante a história.
 
Fico sabendo através do jornal O Estado de S. Paulo, que, a um ano das eleições, o mundo empresarial está se movimentando para “estruturar uma rede capaz de influenciar o resultado das próximas eleições”.
 
Isso vem sendo expresso mediante reuniões de pequeno porte, realizadas meio que na sorrelfa…
 
No Brasil, 82% da população ganha até três salários mínimos. 12% até cinco. O resto, chafurda na grana como leitões na lama. Portanto, podemos dizer, de cara, que perto de 95% não têm assento em tais encontros. E mais: ficam na espera da decisão da elite, como se perguntassem, algo sôfregos, “me diz aí, dinheiro, em quem eu devo votar?”
 
Óbvio que essa rede de tubarões não se reuniu para evitar a perda de direitos da classe trabalhadora, seja na terceirização, na reforma trabalhista e na Previdenciária. Até porque quem pediu foram os empresários, os encasacados, que usam e abusam de caixa dois para eleger candidatos aptos a fazerem seu jogo. Está aí a Lava-Jato que não me deixa mentir, certo?
 
Ora, gente. Política não pode e não deve servir de instrumento empresarial. Quem nela adentra precisa ter o dom de servir ao próximo, ao povo, construindo cidadania, lutando por empregabilidade, moradia digna, saúde, educação e infraestrutura.
 
É fundamental que a classe política invista no desenvolvimento do ser humano. E não se deixar contaminar, como se deixa, pelos interesses de quem só faz pensar em aumentar fortunas, como se caixão tivesse gaveta.
 
Assim sendo, fiquei extremamente preocupado com a reportagem do Estadão. Os patrões querem uma nova ordem, como se precisassem fazer algo para que tudo continue na mesma: eles com o ouro e o povo na escravidão.
 
A avaliação dos gestores (palavra em moda) é que a falta de mobilização do setor produtivo abriu espaço para uma política econômica equivocada, que levou à crise. E tentam unificar apoio a um nome de pensamento liberal. Ou neoliberal, acrescento.
 
Os preceitos de Jesus, o empresariado entrega às favas. Fraternidade e maior igualdade social não interessam. Que se solte Barrabás, pois interessa mais aos negócios.
 
Das reuniões da tal rede, poucos participam. Afinal, o número de presos da categoria dos cartolas é grande. E muitos aguardam na fila.
 
Ganância por dinheiro, trampolim de corrupção, interesse de ricaços não livrarão o Brasil de suas trevas sociais. Só manterão o Brasil do jeito que está.
 
O povo precisa estar amadurecido politicamente e, nas urnas, dar um basta aos que vivem de espoliá-lo. Intervenção militar não dá certo, nem no Brasil nem em lugar algum. Já vivemos tal experiência. E acreditem, foi dolorosa. Lutemos, portanto, pela democracia construída por um povo lúcido, debatendo e fazendo seu futuro com o suor de seu trabalho e de sua dignidade.
 
 
Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

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