ARTIGO – Falhas de construção no Minha Casa

(*) Ramalho da Construção
 
Como todos pudemos assistir, de camarote e apreensivos, o governo brasileiro dos últimos tempos ganhou mais destaque nas páginas de polícia do que nas de política.
 
Trocou-se os pés pelas mãos. Em meio a escândalos sucessivos, o País parou de produzir, de gerar riquezas, enquanto o desemprego foi subindo até sumir entre as nuvens.
 
Nem os programas mais caros ao governo petista escaparam da irresponsabilidade, pois só pensava no poder pelo poder.
 
Com isso, ai do povo, que até agora está feito barata tonta em galinheiro, lutando para sobreviver.
 
Peguemos o caso do Minha Casa, Minha Vida. Leio na mídia que quase metade dos imóveis destinados ao público mais carente do programa, construídos entre 2011 e 2014, apresentam algum problema ou incompatibilidade em relação ao projeto.
 
Com efeito, uma fiscalização do Ministério da Transparência identificou falhas em 48,9% dos imóveis da faixa 1 do programa de habitação, que contempla famílias que ganham até R$ 1,8 mil.
 
“De um total de 688 empreendimentos, foram identificadas falhas de execução em 336, que concentram quase 93 mil unidades”, registra matéria divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo.
 
Se você, amigo, se você amiga, quer saber quais são os problemas, lá vai:
 
Trincas e fissuras (30,8%), infiltração (29%), vazamentos (17,6%) e cobertura (12,3%).
 
Após o susto de quem sempre acompanha meus artigos, ressalto: tais problemas não são excludentes, ou seja, um mesmo imóvel pode ter mais de uma determinada situação.
 
“A grande maioria dos problemas identificados está relacionada com falhas ou deficiências dos ambientes por causa da incidência de água”, destaca o Estadão.
 
Questa la situazione, diria um velho italiano amigo meu, anarquista até os ossos.
 
O sonho da casa própria não pode ser de nenhuma bandeira, de nenhum partido. Não deve, em minha modesta opinião, servir de trampolim político.
 
Vale ressaltar que o setor da Construção Civil, com o meu total apoio, aliás, propôs a PEC -Proposta de Emenda Constitucional -da Moradia Digna, de número 285/08.
 
Por esta PEC, que não foi para a frente, o Governo Federal seria obrigado a destinar 2% de seu orçamento para a edificação de casas populares. Da mesma forma, estados e municípios também o fariam, só que sendo obrigados a aplicar 1%.
 
Sendo constitucional, a proposta estaria imune às sucessões do Executivo, seja de partido A ou partido B.
 
Por que não passou? Porque seria bom demais para ser verdade, não é mesmo?
 
Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP
 
casa-rachadura
Situações assim estão acontecendo no programa
 

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