Artigo – Reforma trabalhista enfraquece segurança no trabalho

O maior patrimônio de uma empresa são os seus recursos humanos. Todo e qualquer empresário de bom senso pensa assim. Para tanto, a saúde dos trabalhadores sob a sua influência precisa ser prioritária.
 
Todavia, índices idôneos indicam o contrário. Segundo a FENATEST -Federação Nacional dos Técnicos em Segurança do Trabalho -a realidade dos acidentes no dia a dia é considerada, há muito tempo, como uma vergonhosa mazela, vitimando anualmente milhões de profissionais.
 
As estatísticas demonstram cerca de 700 mil acidentes graves com afastamento de funções, 15 mil sequelados com afastamento definitivo do trabalho, 3 mil mortes e R$ 70 bilhões de prejuízos econômicos a cada ano.
 
Tenho a honra de presidir o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo. Portanto, convivo com o problema dos acidentes numa categoria onde mais morre gente vítima da indiferença de alguns maus patrões.
 
No Sindicato, lutamos permanentemente contra este estado de coisas, fiscalizando os mais de dez mil canteiros de obras da Capital paulista.
 
A situação vai melhorar? Não. Segundo a FENATEST, a reforma trabalhista proposta pelo governo Temer mexe negativamente com a segurança e a saúde no ambiente de trabalho.
 
“Questionamos a priorização da anunciada reforma trabalhista em um momento de grave crise econômica e de desemprego”, diz a entidade. E continua: “A correlação de forças será precarizada. De um lado a fragilidade por parte dos trabalhadores, de outro as representações de empregadores e políticos, com clara evidências de retrocesso dos direitos, piorando o que já estava ruim na qualidade de vida no trabalho”.
 
A cada dez acidentes, oito recaem sobre trabalhadores terceirizados. Com a reforma trabalhista priorizando a terceirização e enfraquecendo o sindicalismo, haverá um aumento brutal dos acidentes de trabalho, lógico.
 
O que o governo federal propõe é o capitalismo selvagem, onde o sistema se autorregula. Isto num País onde a família de mais de 90% da população ganha até três salários mínimos.
 
Temer, assim sendo, está matando borboletas com rolo compressor. Exagerando na dose…
 
Saúde é bem precioso. Não pode ser tratada, diz a FENATEST, como moeda de troca nas decisões políticas e nas relações do trabalho. A reforma trabalhista deveria ser precedida de amplo diálogo com a sociedade e não enfiada goela abaixo da classe trabalhadora, como está sendo.
 
“Vivemos tempos difíceis, de constantes ameaças ao Direito e à Justiça do Trabalho, que detêm um papel extremamente importante para a segurança e a saúde do trabalhador. A reforma trabalhista vem na contramão desta necessidade de proteção quando reduz, por exemplo, o intervalo intrajornada”, conclui o presidente da ANAMATRA -Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, Germano Siqueira.
 
Convido a classe trabalhadora e a sociedade brasileira, independente de cores partidárias, a pensar a respeito.
 
 
Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

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