Assim fica difícil acabar com o maldito mosquito

As mais de cem mil pessoas diagnosticadas com dengue no ano passado na capital parecem não ser suficientes para conscientizar sequer quem tem obrigação de educar. Montanhas de lixo acumuladas em escolas públicas ou no entorno delas-são paraísos para reprodução do mosquito Aedes aegypti.
Esses criadouros, todos denunciados por leitores do DIARIO através do WhatsApp da Redação, são uma contradição aos discursos pregados pelo secretário municipal de Saúde, Alexandre Padilha, de que locais com grande concentração de pessoas, como as escolas, seriam prioridade da fiscalização.
Não é o que acontece na Escola Estadual Doutora Rosa Pavone Pimont, no Jardim Colombo, região do Jardim Ângela, na Zona Sul de São Paulo. Pais e alunos estão apavorados com a possibilidade de engrossar as estatísticas da dengue. As mulheres também mostram preocupação com o zika vírus.
Os fundos da unidade de ensino estão ligados a um córrego repleto de mato. O pátio da escola é de grama e acumula água. Há canaletas entupidas com água parada. Na garagem do colégio, e dentro dele, há montanhas de sacos de lixo “escondidos” embaixo de uma árvore.
“Tragos meus filhos saudáveis para estudar e tenho medo que eles voltem doentes”, reclamou a dona de casa Rosa Cristina da Silva, 35 anos.
A filha mais nova dela, Ana Paula Clara Paes, 6, teve de mudar de sala de aula ontem (dia 22) por conta da invasão dos mosquitos. A professora levou todos os alunos para um outro ambiente, mais longe das poças de água paradas. “Tinha muito bichinho em cima das mesas. Está assim desde o primeiro dia de aula (15 de fevereiro). Dá medo de pegar dengue”, contou a jovem, do 1° ano do ensino fundamental.
A situação é praticamente semelhante na creche municipal Yvone Maluhy Josepf Sabga, no Jardim Esmeralda, região do Butantã, Zona Oeste. As crianças convivem, em um terreno ao lado, com um córrego cheio de sujeira, mato alto e acúmulo de lixo.
Na calçada em frente há sofás jogados, pneus velhos e outros tipos de objetos descartados e dejetos. “Aqui vive cheio de ratos e mosquitos. Virou local de entulho”, afirmou a dona de casa Regina Paula, 50. “Sempre foi assim”, diz a dona de casa Maria de Oliveira, 74.
Nas esquinas da Avenida Maria Luísa do Val Penteado e Rua Pero Lopes Lobo, em São Mateus, Zona Leste, pneus se juntam a latas de tinta e todo o tipo de lixo, que quase invadem a rua. Segundo moradores, a sujeira está lá há mais de dez dias e ninguém limpa.
Na Zona Oeste, o Ecoponto do Alto de Pinheiros tem tanto entulho que a grade que circunda o local caiu com a força do lixo. Tem, resto de construções, tudo jogado de forma desordenada.
O local, apropriado, para receber tais resíduos, tem sinais de abandono. Localizado na Praça Arcipreste Anselmo de Oliveira, o ecoponto está próximo da estação de trem Cidade Universitária, na Marginal Pinheiros.

Fonte: Jornal Diário de São Paulo-23.02.2016

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