Caixa ganha R$ 4,4 bi para administrar o deficitário FGTS

Créditos= Foto: Paulo RS Menezes
Quem é o trabalhador brasileiro para ter direitos exclusivos sobre ela, a cobiçada administração do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

A Caixa Econômica Federal é ciumenta e não deixa espaços para avanços, seja na noiva, seja no bolo, fazendo do Fundo sua matriz e sua filial.

Curioso. O governo federal vive desfazendo desse bolero, mas continua faturando os seus royalties através da Caixa, a senhora que cuida da fatura do, diríamos, pensionato das normalistas.
E recebe dinheiro alto para tanto. Com maquiagem e vistosos badulaques, a mencionada dama cobra nada menos de R$ 4,4 bilhões para administrar o “combalido e sem futuro” FGTS.
O valor do frege representa 1% do ativo do Fundo, mantido nas garras do monopólio.
“Sabemos que houve ganhos com a centralização dos recursos em um único banco”, defende a vice-presidente de fundos e loterias da Caixa, Deusdina dos Reis Pereira.
Segundo ela, o banco faz uma gestão transparente e responsável dos recursos, procurando dar comodidade e facilidade ao trabalhador, além de contar com uma rede ampla de agências e loterias em todo o País.
Só que, segundo o governo, o Fundo é deficitário, exigindo mudanças radicais na fórmula de aposentadoria do povo brasileiro, ora querendo levar a meta a 65 anos de trabalho para homens e mulheres, ora até a setenta anos.
A dívida do Fundo soma a mais de R$ 1 trilhão. Mas enquadrar os devedores não faz parte das intenções do presidente Michel Temer e de sua equipe de burocratas de finanças.
A regra que estipula esse porcentual para o pagamento ao gestor entrou em vigor em agosto de 2008, mas vem sendo criticada pelos membros do Conselho Curador do FGTS -órgão que reúne representantes do governo, dos trabalhadores e dos empregadores.
Muitos questionam a exclusividade da Caixa na gestão dos recursos, diante do baixo retorno das aplicações do dinheiro do trabalhador, do nosso dinheiro.
O governo não joga claro. Lança balões de ensaio na mídia para testar repercussões da sociedade, que vêm sendo das mais negativas, aliás.
O movimento sindical não vai tolerar que se mexa nos direitos do trabalhador. Que fique claro!
E o bolero da Previdência, ora, tem nervos de aço…
 
 
Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

 

siga-nos