Carteira profissional ficará mais rara do que mico-leão-dourado

O passaporte da plena cidadania do povo brasileiro é -e sempre foi -carteira de trabalho assinada. Em toda a minha carreira como sindicalista e líder dos trabalhadores da construção civil de São Paulo, defendi tal ideia. E, quando o governo liberal de Michel Temer começou a propor suas reformas (terceirização, trabalhista e previdenciária), fui a público e alertei que as iniciativas se constituíam num golpe contra a sociedade brasileira.
Com pouco mais de 3% de aprovação, segundo pesquisas, Temer tenta demonstrar que a empregabilidade está aumentando no País. Mas crescendo como? No campo da informalidade, como eu havia previsto, cuja contínua evolução será o principal legado da mais longa crise econômica já registrada.
A taxa de informalidade da mão de obra chegou a 46,4% no segundo trimestre, valor mais alto já registrado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), cuja série histórica começa em 2012. Com ela, traz piora qualitativa do mercado de trabalho.
Desnecessário dizer que o trabalhador informal geralmente recebe menos do que seus pares com carteira assinada. Isso porque não tem direito a garantias e benefícios e não contribui para a previdência social.
  
Também tive a oportunidade de dizer que, com suas propostas, o governo federal daria um tiro no pé. Dito e feito. A elevada informalidade já teve efeito sobre a arrecadação do governo e pode dificultar a volta desses trabalhadores ao mercado formal.
Escrevam o que eu vou dizer: Daqui a alguns anos, poucos anos, carteira de trabalho estará mais em extinção do que o mico-leão-dourado ou a ararinha-azul do Pantanal.
Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

 

 

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