Centrais aceitam debater a Previdência

Centrais sindicais aceitaram negociar uma reforma da Previdência, desde que ela afete somente novos trabalhadores e que sejam revistas as desonerações fiscais que beneficiam empresas.
Nesta segunda (16), a cúpula do governo do presidente interino Michel Temer se reuniu com representantes de 4 das 6 maiores centrais sindicais: Força Sindical, UGT, CSB e Nova Central. As centrais historicamente ligadas ao PT e ao PC do B, respectivamente CUT e CTB, recusaram-se a participar da reunião.
No encontro, Temer indicou que pretende negociar com sindicalistas, empresários e políticos uma proposta de reforma previdenciária para ser enviada ao Congresso até o mês que vem.
No encontro, foi acertada a criação de um grupo de trabalho para desenvolver a proposta em até 30 dias. A primeira reunião será nesta quarta (18). O grupo também será responsável por elaborar sugestões para uma reforma trabalhista com o objetivo de estimular a criação de emprego.
O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, ressaltou o caráter preliminar da reunião desta segunda. “Talvez o grupo de trabalho, com os dados que tenha, chegue à conclusão de que não tem de promover nenhuma reforma [trabalhista]”, afirmou. “Nada tem de ser impositivo.” DESEMPREGO Na reunião, uma conta apresentada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, despertou a preocupação de sindicalistas. A taxa de desemprego deve chegar a 14% neste ano.
De acordo com a mais recente pesquisa da Pnad Contínua, feita pelo IBGE, o desemprego é de 10,9%. Há um ano o desemprego era de 7,9%. Para Meirelles, o governo Dilma deu pouca atenção à questão do emprego. IDADE MÍNIMA Representantes sindicais rejeitam a proposta de estabelecer uma idade mínima para a aposentadoria —o que está na pauta de Meirelles.
“Como resolver a Previdência? Idade mínima? Pode ser. Temos que ter diálogo para resolver”, disse o ministro da Fazenda durante a reunião. Meirelles afirmou, no encontro, que a intenção é chegar a uma solução acordada.
“Não dá para viver à margem da insensatez: cada um pensando no seu, quando o país caminha para uma desagregação”, disse Meirelles.
Os sindicalistas creem que a questão da idade mínima já está resolvida com a atual fórmula 85/95 —a qual indica a soma necessária da idade e o tempo de contribuição que mulheres e homens, respectivamente, devem ter para se aposentar. Essas somas passarão para 95 e 100 até 2026.
As centrais se queixaram de que as desonerações dadas pelo governo Dilma a empresários geraram um rombo de R$ 60 bilhões nas contas da Previdência.
Segundos os sindicalistas, somente com a revisão dessas isenções, parte do deficit —estimado em cerca de R$ 120 bilhões para 2016— já estaria coberta. Eles também sugeriram rever as isenções de entidades filantrópicas e do agronegócio.
Outra proposta para incrementar a arrecadação é aprovar a lei que libera jogos de azar e destinar sua arrecadação para a Previdência. Nas suas contas, o governo poderia arrecadar até R$ 40 bilhões com bingos e cassinos.

 

Fonte: Folha de São Paulo

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