Coronavírus: Obra com 1200 trabalhadores é paralisada nesta quarta-feira em SP

PUBLICADO EM 13/05/2020

O Sintracon-SP (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo) paralisou, nesta quarta-feira (13), a obra Parque da Cidade, que é gerida pela Construtora Matec. O canteiro fica localizado na Rua Antônio de Oliveira, 921 – Chácara Santo Antônio – e, segundo fontes do local, faz parte de um fundo bilionário norte americano.

A paralisação foi promovida pelo sindicato em conjunto com os operários do local, pois a empresa não realiza testes do novo coronavírus nos trabalhadores, mesmo após haver registro de morte na obra em consequência da doença.

De acordo com o Sindicato, há dias a entidade solicita que os testes sejam realizados nos trabalhadores, mas nunca recebe uma resposta positiva da empresa. O Sintracon-SP e os trabalhadores da obra temem que haja uma epidemia no local. Há, inclusive, depoimentos de trabalhadores com sintomas do vírus que ainda estão operando no canteiro.

Para o presidente do Sindicato, Ramalho da Construção, os testes são fundamentais para que o número de trabalhadores infectados pare de crescer constantemente nas obras.

“Nosso objetivo é testar os companheiros para identificar quem contraiu o vírus. Os que testarem positivo, direcionaremos para o Seconci-SP (que conta com ótimos profissionais e aparelhos de última geração) e lá eles dão encaminhamento a cada caso. Só assim conseguiremos evitar que o vírus se espalhe nas obras”, comenta Ramalho.

Conjunto de irregularidades

A testagem do coronavírus é o principal motivo da paralisação, mas não o único. Segundo Atevaldo Leitão, diretor do Sindicato, dos 58 prestadores de serviços da Matec, 30 não pagam o Seconci-SP, o que está previsto na convenção coletiva da categoria e é obrigatório.

Além deste problema, a obra que já foi autuada duas vezes pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) possui outras irregularidades graves: rescisões trabalhistas e pagamentos atrasados; e descontos de mensalidades sindicais nas folhas dos funcionários, sem transferir o saldo ao sindicato.

“Queremos deixar claro que também não gostamos de realizar paralisações. Sabemos que isso é prejudicial ao empresário. Contudo, devemos cobrar que ele respeite o direito a vida e todas as atribuições de saúde e segurança no trabalho. Nosso sindicato coloca a vida do trabalhador da construção civil acima de tudo. Não há nada mais importante para nós, principalmente neste momento de calamidade pública”, completa o presidente do Sindicato.

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