Crise no FAT pode prejudicar seguro-desemprego e abono salarial

Volta e meia recorro à lucidez do dramaturgo e cronista de costumes Nelson Rodrigues, que sempre ressaltava o humano como o mais polêmico dos seres.
Ora. Uma girafa nasce girafa, cresce girafa e, por incrível que pareça, morre girafa. Um pé de laranja, por sua vez, não se transforma em limoeiro. O ser humano, portanto, é o único que se falsifica a ponto de ofender o óbvio.
Há, por exemplo, entre os humanos, lógico, quem defenda o governo Temer e suas reformas, sempre contra os interesses do trabalhador e a favor da elite econômica.
Já de um paralelepípedo, mineral por natureza, se espera a honestidade de quem não pratica estelionato de qualquer forma. Se pudesse falar, diria, em bom português: fome e injustiça são os problemas do povo brasileiro.
Parece claro, a todos, que a queda do imposto sindical obrigatório fere o sindicalismo a ponto de insolvência.
Alguns poderão dizer, mas o imposto é opcional. Respondo: se o imposto de renda fosse opcional alguém declararia? Alguém o pagaria?
Leio na mídia mais um atentado contra sindicatos e trabalhadores. O FAT -Fundo de Amparo ao Trabalhador -não poderá mais contar com o apoio que teve até agora do Tesouro Nacional. Justamente o FAT, criado em 1990 para assegurar benefícios como o seguro-desemprego e o abono salarial.
“Dado o esforço de ajuste fiscal, a cada ano ficará mais difícil para que o Tesouro complemente os recursos do FAT”, diz a nota técnica do governo encaminhada ao deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), relator da Medida Provisória (MP) 777, que muda a taxa de juros que baliza os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
É verdade que a crise do FAT foi agravada pela irresponsável política do governo Dilma Rousseff. A desordenada redução dos tributos sobre a folha salarial, no governo da petista, reduziu as receitas originais do Fundo, enquanto os gastos continuaram a crescer.
Mas Dilma, o povo nas ruas derrubou. Que Temer e suas manobras costumeiras não se esqueça disso!
 
Ramalho da Construção

 

Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

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