De cada cem imóveis, 41 são devolvidos pelos compradores.

A presidente Dilma Roussef iniciou 2016 buscando reconhecer erros para, assim, melhorar sua imagem junto ao eleitorado.
Disse, entre outras coisas, ter errado ao subestimar o potencial da crise em 2014. A mesma crise, aliás, que naufragou o Brasil em 2015.
A Dilma do ano novo quer investir na Construção Civil, por julgar um setor capaz de alavancar empregos.
Ora, a presidenta sofre de cegueira obtusa.
O impacto da Construção para o desenvolvimento do País é reconhecido desde os tempos do Império.
No entanto, permitiu a maior sangria já vista no setor, resultando em 550 mil demissões no ano passado.
Leio, no Estadão, que de cada 100 imóveis vendidos 41 foram devolvidos de janeiro a setembro de 2015.
Isso significa cerca de R$ 5 bilhões de rombo junto às construtoras.
A afirmação é amplamente subsidiada por um levantamento da Fitch feito com nove companhias da área entre janeiro e setembro de 2015.
Historicamente, o número de distratos, ou seja, de desistência da pessoa diante de um empreendimento, é de 10%, o que revela o abismo criando pela incompetência do governo.
Antes, o consumidor comprava um imóvel por R$ 100 mil na planta, vendia por R$ 150 mil e embolsava a diferença”, diz um executivo de uma grande construtora.

“Agora”, continua ele, “compra por R$ 100 mil, mas descobre, na entrega das chaves, que a incorporadora está vendendo por R$ 80 mil. É difícil sustentar o mercado assim”.

Vale ressaltar que a restrição de crédito também agravou a situação, pois conseguir um financiamento no banco é muito difícil.

Quem perdeu o emprego ou viu sua renda cair entre a compra do imóvel e a entrega das chaves tem grandes chances de ter empréstimo negado pelo banco.

Aliás, o sistema bancário parece ser o único setor contente com este Brasil de ladeira abaixo.

Perde o consumidor, perde o setor, perde o Brasil. E vai ser difícil para a situação de coisas voltar à normalidade.

Ainda mais quando se sabe que o Brasil é uma nau sem timoneiro. Dilma não governa mais. Se é que alguma vez governou.

Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

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