Desemprego cria “funcionários-polvo”

Dizem que é na crise que se encontra a oportunidade da pessoa ou da empresa se transformar em algo mais. Não duvido. Especialmente quando isto se aplica ao capital e jamais ao trabalho.
 
Como sindicalista, tenho acompanhado atentamente o que acontece no mercado profissional.
 
Mais do que oportunidade, vejo é descaramento patronal a bordo de oportunismos caracterizados de malandragem e cinismo.
 
O empresário aproveita a ocasião para demitir o que considera os portadores de salários mais altos, contratando outros pela metade, até um terço, do valor do holerite.
 
Aproveitam-se do caos, da extrema necessidade do povo e, sem dó nem piedade, enxugam a folha de pagamento sem jamais pensar na qualidade dos serviços.
 
Alguns quadros, essenciais, permanecem na empresa. Só que, sem qualquer reajuste salarial, são obrigados a cobrir funções diversas dos demitidos. Ou seja: é gerente, mas além de gerenciar, se gerencia, serve cafezinho, atende no balcão, varre o salão, limpa o banheiro etc. etc.
 
Com medo de também serem mandados para a rua da amargura, esses trabalhadores denominados polvos, se sujeitam a aviltamentos da pior espécie. E o patrão vai contabilizando o vil metal a custas de chantagens de todos os tipos.
 
Você, que está lendo este artigo, bem sabe disso. Inclusive pode ser um dos explorados.
 
Já os que topam assumir vagas por um terço do salário, não aguentam o tranco. Fazem as contas e percebem estar pagando para trabalhar. Não é mesmo?
 
Assim segue a nau Brasil, navegando no mar da insensatez e do oportunismo.
 
Dizem que o desemprego atinge 12,5 milhões de pessoas. Mas, na verdade, o dito índice de desemprego ampliado é quase o dobro.
 
Devemos tal estado de coisas à imperícia do governo federal, lógico. Exterminou o “fiat lux” divino e fez o País retornar às trevas.
 
Lembro de um jogador do Santos, o Pitico. O alvinegro estava numa dessas excursões caça-níqueis. Jogava debaixo de neve, na Alemanha, contra o time do grande Beckenbauer.
 
O jogo estava dois a zero para a equipe alemã quando Pepe, o treinador da Vila, chamou Pitico e deu suas orientações: Pitico, entra no meio, cobre os laterais, aproveita para atacar pelos dois lados do campo e cola no número 5 deles (Beckenbauer) que está acabando com o jogo. Entendeu, Pitico?
 
A resposta: É, professor. Entender eu entendi. Mas tudo isso por dois “mirréis”…
 
Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB/SP

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