Desordem e Retrocesso

Reforma da Previdência. Reformas trabalhistas. Estão aí dois temas sensíveis para o povo brasileiro. Tão delicados que jamais poderiam ser tratados sem a abertura de amplo diálogo entre governo, entidades representantes da sociedade como um todo e, lógico, os trabalhadores.

Se aprovadas nas instâncias do Legislativo, tais mudanças promoverão uma cirurgia complexa, de retirada de órgãos do organismo da classe trabalhadora.

Temos 15 milhões de desempregados. Se contarmos aqueles que desistiram de procurar colocação profissional e partiram para o subemprego, podemos contar, fácil, que 25 milhões estão na rua da amargura.

O governo se aproveita de tamanha fragilidade para instaurar o neoliberalismo com viés de capitalismo selvagem. Cada qual lutando por si mesmo num ambiente de precárias relações entre o capital e o trabalho.

Que sobreviva o mais forte, ou aquele que melhor se adaptar aos novos tempos. Esta é a palavra de ordem dada a uma Nação onde 90% de sua população percebe (a grosso modo) apenas três salários mínimos (família). Outros 5%, até cinco salários. E o restante, está por cima da carne seca.

Espero, sinceramente, estar enganado. Mas o Brasil, após todos estes atentados, sofrerá um baque econômico sem precedentes, pois a esmagadora maioria de seu povo não tem dinheiro para comprar sequer uma mariola.

O sindicalismo seria capaz de suavizar a cirurgia que se aproxima -digna de Jack, o Estripador -em algo mais humano e justo.

Todavia, o governo, em sua volúpia capitalista, procura enfraquecer sindicatos. Tirar da frente quem tem representatividade para defender o trabalhador, os mais pobres.

“O sistema que se autorregule”, dizem os burocratas de Brasília, como se estivessem administrando um País de primeiro mundo.

Não é bem assim, todos sabemos. Por surpresa, esses barbeiros de necrotério terão é que alterar o dístico de nossa bandeira para “Desordem e Retrocesso”.

A comissão que analisa a reforma da Previdência na Câmara aprovou, no último 3 de maio, o texto do relator Arthur Maia (PPS-BA) para a Previdência. Foram 23 votos a favor e 14 contrários. Foi um autêntico vale-tudo, com troca de última hora de deputados contrários à medida por outros, favoráveis. Truculência total. Democracia ferida de morte.

Ramalho da Construção

 

Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

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