Dilma perde por não saber dialogar

Minhas preocupações para com o governo Dilma Rousseff não são de última hora. Elas vêm de há muito, já mesmo de seu primeiro mandato, quando o Brasil voava em céu de brigadeiro e tudo era tranquilidade, ou, pelo menos, parecia ser.
Dilma sempre foi avessa ao diálogo. As centrais sindicais, os movimentos de defesa dos interesses da classe trabalhadora, jamais se sentiam ouvidos por ela. Defendiam, por exemplo, a jornada de 40 horas semanais sem prejuízo de salário, um projeto que seria de grande interesse para um governo comandado pelo PT, e a presidenta quando comparecia a alguma reunião, algo raro, aliás, fazia ouvidos de mercador.
Às vésperas da votação na Câmara dos deputados, a mídia destacou que o governo lutava contra o avanço do impeachment da presidenta. E qual era a principal arma governamental? Justamente o diálogo com parlamentares indecisos.
Chegou-se a anunciar que Dilma escancarou as portas de seu gabinete para receber deputados. E o fez com mesa farta, considerada mineira, onde sobejava o café e o pão de queijo.
Creio que muitos lá compareceram por curiosidade, até para checarem se Dilma Rousseff era uma figura real e não objeto de ficção.
Aí, meus caros leitores, eu tive a certeza de que o governo sofreria uma derrota avassaladora em suas pretensões. Ninguém muda da noite para o dia. O diálogo mínimo aterroriza Dilma. Seu orgulho não admite que ela sequer pense estar errada. Não reverteria um voto sequer. Sua arrogância característica faria com que qualquer tiro saísse pela culatra. E assim foi.
Com expressivos 367 votos a favor da continuidade do processo de impeachment, o governo petista de Rousseff depende agora do Senado, onde pesquisas de boca de urna dão sua derrota como certa.
O estilo Dilma de administrar se auto golpeou.
Isso, aliado aos escândalos ocorridos em seu mandato, devida e paulatinamente denunciados na Operação Lava Jato, foram fatores determinantes para o trágico revés que todo brasileiro assistiu.
Não vou me prender aqui às pedaladas fiscais, um dos fundamentos do pedido de afastamento. Estou tentando tecer uma teia de fatos que surgiram e se robusteceram na periferia dos acontecimentos.
Sou brasileiro. E me permito dizer que conheço o povo brasileiro. Ele não tolera traição. Julga assim: “Palavra dada, assim como flecha disparada, não volta atrás”.
Creio ter sido o primeiro a alertar, em artigo publicado no Diário de S. Paulo, que a vaca havia tossido.
Apesar de afirmar, ainda em campanha para seu segundo mandato, que não mexeria nos direitos dos trabalhadores, ela assim procedeu.
O povo torceu o nariz. A inflação disparou. O desemprego foi aumentando freneticamente. Dilma prejudicou os aposentados. Colocou em risco a Previdência Social. Estancou as obras do Minha Casa, Minha Vida. Paralisou e fez regredir a economia do País. E tudo isso na base da canetada, sem consultar a sociedade e os trabalhadores.
A presidenta foi submetida a um crescente processo de sufoco. A um abraço de jiboia. Precisava do diálogo. Mas o verbo não existe em seu dicionário, em seu ideário, na sua forma de pensar e de agir. Sem tal alicerce, a casa só poderia cair. E caiu. Pois a presidenta não tem mais a mínima chance de governar o Brasil. O resto é teimosia e orgulho…

 

Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

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