Dilma quer mudanças nas regras da Previdência. Para pior, lógico

É preciso falar sobre as propostas em estudo, do governo Dilma Roussef, sobre mudanças de regras na Previdência.
Mais do que falar é alertar para um novo golpe da administração petista para cima dos trabalhadores.
Quer a presidenta igualar a idade da aposentadoria entre homem e mulher. Já escrevi sobre esse assunto. Creio que se tal balão de ensaio for posto em prática, será um duro e injusto golpe contra as companheiras, cuja jornada de trabalho chega a ser tripla: serviço, casa e filhos.
As centrais sindicais e as entidades organizadas de defesa da sociedade não podem aceitar isso de jeito nenhum.
O PT, que se diz dos trabalhadores, parece desconhecer a trajetória da esmagadora maioria da população ativa brasileira. Quer estabelecer idade mínima para se aposentar, penalizando quem começou a pegar no batente no início da adolescência.
Ora. Se uma pessoa inicia sua carreira profissional aos 16 anos, vai, pela lógica do governo Dilma, trabalhar 44 anos, o que é muito.
Dilma também quer jogar, na mesma vala, as aposentadorias urbana e rural. Trata-se de mais um equívoco. Trabalhar num escritório é bem diferente do que trabalhar na roça, onde as pessoas dificilmente conseguem chegar aos 65 anos de idade, tamanha a dureza da função.
Sei disso na prática, pois trabalhei tanto no âmbito rural como na cidade.
Convém lembrar que a presidenta, durante sua campanha, afirmou taxativamente: “Não mexerei em direitos da classe trabalhadora nem que a vaca tussa”.
Todavia, ela nada mais fez do que aviltar direitos para cobrir rombo financeiro causado pelo próprio governo, por má administração e corrupção sem precedentes.
Estamos evoluídos tecnologicamente. E tanta tecnologia, em vez de ser posta a favor dos recursos humanos, diminuindo jornada de trabalho e aumentando a renda dos trabalhadores, é usada para explorar mão de obra e causar desemprego.
Estou certo de que a sociedade organizada não permitirá que tais propostas, leoninas, sejam institucionalizadas.

Daqui a alguns dias, teremos uma reunião do Fórum da Previdência em Brasília.
O governo vai ter de passar pelo Fórum. Ele não pode de um dia para o outro mandar para o Congresso sem discutir as medidas. Apesar de ser bem capaz de fazer isso, autoritário que é.
As centrais sindicais vão se juntar em manifestações contra o governo de Dilma Roussef, para tratar sobre a crise econômica, a reforma da Previdência e também a correção da tabela do Imposto de Renda.
O governo quer agradar o mercado, o capital. Mas vai desagradar principalmente a base que o apoiava.

Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

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