Do direito de enganar ao direito de espernear

Sempre defendi em meus artigos que a intenção do PT era simplesmente a de lutar a qualquer custo por se manter no poder.
Para tanto, o vale tudo se instalou no partido, tudo sob a égide da solidificação de uma ideologia de esquerda, que contempla, segundo eles, os mais pobres, os menos aquinhoados.
Diante das pedaladas, obviamente inconstitucionais, o Partidos dos Trabalhadores, através de sua mandatária, a presidenta Dilma Rousseff, insistentemente bateu na tecla do “ou agíamos assim ou não teríamos condições de pagar o Bolsa Família e nem tocar as obras do Minha Casa, Minha Vida.
Conversa para boi dormir. Mensalões e petrolões levaram o governo à insolvência.
Pensar nas classes menos privilegiadas não é ser de esquerda, mas sim fazer política de forma justa e civilizada.
Qualquer monarca de boca de mato assim procederia, se tivesse um mínimo de bom senso.
Ferozmente, o PT de Dilma bate em outra tecla: a de que está sendo perseguido.
Falar em Operação Lava Jato perto de petistas é a mesma coisa que jogar sal em lesma e água benta em belzebu.
A verdade é que o Partido dos Trabalhadores sempre se julgou detentor da moral e dos bons costumes. Sempre posou de santo de vitral, com suficiente transparência para deixar atravessar a luz divina.
Ora. Uma coisa é um fraco de espírito pecar. Outra, bem outra, é o padre. Sim. O pecado do padre ganha manchete imediata.
O povo descobriu que a inocência petista inexistia, e que o rei estava nu. Escândalos se sucedem sob a forma de propinas, desvios e roubalheira como nunca se viu…
Mas eu dizia que a luta de Dilma e seus asseclas jamais foi por ideologia e, sim, para manter o poder.
Só isso pode explicar a ação do cooptado senhor Waldir Maranhão, que, numa canetada, ousou calar a voz e a vontade de 367 deputados federais que recomendaram o acatamento e prosseguimento do impeachment.
O ato atingiu as raias do ridículo. Por algumas horas, o povo brasileiro ficou com sangue nos olhos. Até que o presidente do Senado, Renan Calheiros, determinou a continuidade do processo, fazendo com que o país retornasse aos trilhos da sensatez.
A ópera bufa encenada e entoada por Maranhão, devidamente assessorado por pilares petistas, teve seu último ato com o próprio presidente interino da Câmara dos Deputados anular a si mesmo.
A postura do PT está minando a falsa esquerda com a qual se comprometeu. Trata-se de um desserviço ao Brasil e à democracia.

 

Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

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