É proibido esquecer!

 Na mitologia grega, Lete é um dos rios do Hades. Aqueles que bebessem de sua água, ou até mesmo tocassem nela, experimentariam o completo esquecimento
Foto: Divulgação

 Sempre fui de ler muito. De ler e de ouvir. Das minhas leituras lembro uma passagem que muito me marcou: a da mitológica figura de Lete.

Para não adentrar em erudição, desnecessária para o motivo desse artigo, posso resumir que Lete significa o esquecimento.
Sua figura, portanto, é muito usada pela política brasileira.
Como Lete, o governo brasileiro conhece muito bem a fórmula de fazer com que o povo esqueça suas dores.
A questão da Previdência Social, por exemplo, vem sendo produto de manobra, ou seja, quando a sociedade deixar de se lembrar do assunto, o governo, sempre sujeito à vontade das elites, vai mexer nos direitos do trabalhador. E para pior, sempre.
Como um autêntico tônico revigorador de memória, as centrais sindicais estão lutando bravamente para que tal tragédia social não aconteça.
A Força Sindical, UGT, NCST e CSB entregaram uma carta conjunta aos ministros, Eliseu Padilha da Casa Civil da Presidência da República e Ronaldo Nogueira, do Trabalho, em junho último.
Na carta, conforme divulga a Foça Sindical, os sindicalistas consideram “inoportuna qualquer proposta de reforma paramétrica que signifique supressão ou restrição de direitos adquiridos pelos trabalhadores”.
Ainda no documento, elaborado em conjunto pelas centrais sindicais, os trabalhadores apresentaram algumas propostas, visando a contribuição na melhoria da gestão e da arrecadação do sistema previdenciário, bem como para o seu fortalecimento institucional.
O efeito Lete não pode agir para que tais propostas não caiam nas garras do esquecimento. Por isso, gostaria de registrar as reivindicações dos representantes dos trabalhadores. São elas:
. Revisão ou fim das desonerações das contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamento das empresas;
. Revisão das isenções previdenciárias para entidades filantrópicas;
. Alienação de imóveis da Previdência Social e de outros patrimônios em desuso através de leilão;
. Fim da aplicação da DRU – Desvinculação de Receitas da União – sobre o orçamento da Seguridade Social;
. Criação de Refis para a cobrança dos R$ 236 bilhões de dívidas ativas recuperáveis com a Previdência Social;
. Melhoria da fiscalização da Previdência Social, por meio do aumento do número de fiscais em atividade e aperfeiçoamento da gestão e dos processos de fiscalização;
. Revisão das alíquotas de contribuição para a Previdência Social do setor do agronegócio;
. Destinação à seguridade/previdência das receitas fiscais oriundas da regulamentação dos bingos e jogos de azar, em discussão no Congresso Nacional;
. Recriação do Ministério da Previdência Social.
É isso que se propõe. É isso que se quer. O governo Temer precisa ouvir a sociedade e ter a coragem de atacar os interesses das elites. Até porque a Previdência Social não é deficitária caso grandes sonegadores honrarem suas dívidas.
 
 
Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual

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