Fechamento de postos de trabalho preocupa a categoria

Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil fecha acordo da Convenção Coletiva.
“A Construção civil em São Paulo perdeu cinquenta mil empregos/ano se comparado com igual período do ano passado, e a estimativa é fechar mais trinta mil postos de trabalho”, diz Antonio de Sousa Ramalho, o Ramalho da Construção, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de São Paulo (Sintracon- SP). A crise no setor dificultou as negociações da Convenção Coletiva.
“Fechamos o melhor acordo salarial para este momento que o setor da Construção Civil está atravessando”, declara Ramalho. Os reajustes salariais ficaram assim: 8,34% para os que ganham o piso; 8% para os que recebem até R$ 7 mil; livre negociação par quem tem salário acima de R$7,01mil.
“Sindicalista que se preza, sempre digo, nunca está contente. Portanto, não gostei do resultado das negociações. Mas tem hora que, se a gente não dosar bem o remédio, ele fará mal ao nosso corpo. A crise está aí, criada pela falta de governança da administração petista. O número de desempregados no setor aumenta a cada dia. A inflação ganha força. O momento é delicado e precisamos ter bom senso”, pondera Ramalho da Construção.
Ainda segundo o líder sindical, está acertado, com o sindicato patronal, que, se a inflação atingir os 10%, as negociações serão retomadas imediatamente. “Não podemos deixar que o bolso do trabalhador seja corroído”, alerta. Pela nova Convenção, ficam preservadas todas as conquistas anteriores.
Ramalho conversou com Miguel Torres, presidente da Força Sindical, e ambos pretendem convidar as demais Centrais para debate ações contra o desemprego, com empresários e governos municipais, estaduais e federal. “Precisamos buscar alternativas, porque parte dos trabalhadores vão receber o seguro-desemprego e outros serão atingidos pelas novas regras previstas na MP 665, que está tramitando no Senado Federal”.
Na avaliação de Ramalho, que também é deputado estadual pelo PSDB, este ano e o próximo serão difíceis para os trabalhadores da construção civil. Hoje, eles ainda encontram bicos para fazer, ou seja, uma reforma em casa, outra reforma em um apartamento. “No entanto, se a crise continuar como está, 2016 será uma calamidade pública, e precisamos buscar soluções para amenizar a situação dos operários”, afirma.
Ramalho destaca ainda que as ações da Força Sindical devem ser para defender os empregados de forma geral, e não serão limitadas à construção civil.

Fonte: Diário de S.Paulo / 19.05.15/ Pág. 11

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