HÁ ALGO DE PODRE NO REINO DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Como se sabe, o Brasil, após passar por uma ditadura impiedosa, finalmente tem, nos últimos 25 anos ou mais, seu regime democrático.
Parece que estou dizendo o óbvio, mas não. Diria que o País, enquanto Estado, navega nas águas da democracia, mas alguns setores de sua economia, não.
Um exemplo é o da Construção Civil, onde impera a monarquia (redundância proposital para pluralizar o fato).
Os grandes caciques do setor sequer desconfiam que em 15 de novembro de 1889 foi proclamada a República.
Continuam com salários dignos de família imperial.
Leio, no portal iG, que os gigantes da Construção preveem gastar mais com seus diretores em 2015, pior ano para o emprego formal no setor em mais de uma década.
Pasmem os leitores. Em alguns casos, os valores reservados para pagar os supersalários, que em 2014 foram suficientes para vencimentos mensais de até R$ 110 mil por mês por pessoa, cresceram mais do que a inflação.
Revela ainda o iG: “Companhias que abriram capital projetam aumento de até 97%”.
Tenho o orgulho de ser presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo. Na última Convenção Coletiva da categoria, com data-base em 1º de maio, fechamos acordo com percentual de aumento próximo ao da inflação do período. Isso, diga-se, após 12 anos consecutivos de aumento real para o bolso do trabalhador.
Por que assim decidimos? Ora, porque o setor está enfrentando um dos períodos mais críticos de sua história, com processo de demissão em massa. Assim sendo, o Sindicato não poderia agir de outra forma, a não ser a de tentar minimizar o quadro de perda de postos de trabalho, que deverá chegar a mais de 60 mil demitidos até o final do ano só em São Paulo.
R$ 120 mil para membro da família real da Construção Civil. Isso, mais do que vergonha, é uma excrecência!
O maior patrimônio de qualquer empresa que se preza são os seus recursos humanos. Mas é assim no reino da Construção, coalhado de reis, rainhas, princesas, baronesas e outros que tais?
Sempre através do diálogo, o Sindicato da categoria tenta melhor equilibrar a balança entre o capital e o trabalho. Mas, certas observações, me levam a pensar de forma contrária. Enquanto não houver uma greve geral de trabalhadores, o reino da hipocrisia não se abalará.
Saiba você, companheiro que agora está enchendo laje debaixo de sol, que o seu trabalho está sendo afrontado.
Compare o bolso do patrão com o seu!
Há algo de podre no reino. E vamos agir firmemente contra este absurdo estado de coisas.

Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual (PSDB-SP)

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