Há que se temer o trabalhador, Temer

Dilma Roussef está amargando 180 dias de impeachment porque não soube dialogar, especialmente com as centrais sindicais que, em primeira análise, representam a voz e a vontade dos trabalhadores.
Cansei de dizer isso. A presidente não tinha jogo de cintura para ocupar um cargo essencialmente político. Isso a fez cair em desgraça com a população, o que lhe rendeu menos de 10% de aprovação.
Pois bem. Michel Temer assumiu sabendo do problema. E Temer não tem a desculpa de não ser do ramo como Dilma revelava.
O otimismo com sua assunção ao poder se iniciou de forma elevada. Mas, em poucas horas e dias, já está dando lugar à desconfiança.
Os sinais de sua equipe são claros. Para tirar o Brasil da crise, quer aumentar impostos.
Ora. Essa foi uma das razões que fizeram Dilma mergulhar nas pesquisas.
O aumento de impostos afeta quem? Os banqueiros, os empresários, a elite? Não. Afeta é o bolso do trabalhador mais humilde que, desempregado, está num mato sem cachorro.
O que queremos de Temer é que ele faça cortes na máquina do Estado. Cortes na carne. No máximo, deveria contar com 15 ministérios e olha lá.
Ele que pare com essa conversa fiada e derrube esse imenso cabideiro de emprego que assola o país.
Aliás, por falar em conversa fiada, o presidente interino fica falando por horas com o presidente da Fiesp, Paulo Skaff, e nenhum segundo com as centrais.
Resultado: a imprensa já noticiou que o novíssimo governo quer mexer na aposentadoria, cortando direitos do trabalhador.
As centrais, lógico, espernearam. E Temer voltou atrás, marcando uma reunião extraordinária com os líderes sindicais.
Finalizo dizendo que se não houver diálogo com a sociedade organizada, Temer repetirá Dilma.

 

Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

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