“Haddad não cumpriu o que prometeu”

A afirmação é do presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo e deputado estadual pelo PSDB -SP, Ramalho da Construção que, nessa entrevista, faz uma análise detida da atual administração da Prefeitura de São Paulo.

São Paulo é uma das maiores metrópoles do mundo. Precisa ser muito bem administrada. Como o senhor analisa a gestão do prefeito Fernando Haddad que vai chegando ao término?
R. Haddad está no topo do ranking dos prefeitos de capitais mais mal avaliados. Quem o colocou nessa incomoda situação foi o povo paulistano. A voz do povo, como se diz, é a voz de Deus. Quem tem juízo não a contraria. Portanto, julgo o governo petista do Haddad como péssimo.

O senhor acha que a administração do prefeito está influenciada pelos casos de corrupção, como o petróleo, por exemplo?
R. Não. Ele é ruim mesmo. Suas ações são meramente populistas. Não fez nada de concreto para melhorar as condições de vida naquela que é uma das maiores metrópoles do mundo. Haddad certamente entrará para o rol das piores administrações da história da cidade.

Há motivos para tanto?
R. Sobram motivos. Começo pelo da construção das ciclovias. Ora, ninguém é contra o uso de bicicletas enquanto mobilização urbana. Mas o trabalho nesse sentido tem que ser bem feito, planejado, organizado.
As ciclovias do prefeito nem merecem assim serem chamadas. Ligam o nada a lugar algum. São improvisadas. Muitas acabam em paredões. O ciclista é obrigado a desviar de obstáculos constantes, como árvores, postes e lixo. Não passam de faixas vermelhas pintadas a esmo no asfalto.
Sem critério técnico, as ciclovias representam perigo para os ciclistas, para a população, para o trânsito da cidade, comércio, indústrias e moradias. Atrapalham o estacionamento de veículos, a entrada em estacionamentos e garagens.
Na base do improviso, Haddad combinou faixas de ciclovias com faixas exclusivas para ônibus em vias estreitas, que não comportam uma coisa nem outra. Uma balbúrdia.

Problemas com as faixas de ônibus?
R. É só trafegar pela cidade. Algumas dessas faixas ora estão do lado direito, ora do lado esquerdo, obrigando os motoristas a atravessar em diagonal. Isso sem acelerar o carro. Pois, se ultrapassar velocidade média de 40 ou 50 quilômetros por hora, o cidadão recebe multa em casa. Tem rua que vira contramão de repente. As soluções, torno a repetir, não passam de grosseiros improvisos.

Há uma indústria de multas?
R. Recentemente escrevi um artigo intitulado como “Os Haddares de Haddad”. A multiplicação desses equipamentos são, na minha opinião, a principal obra do prefeito.
Haddad investiu nosso dinheiro de impostos em radares. O número deles cresceu 57,5% em sua gestão. Em janeiro de 2013, a fiscalização desse gênero era feita por 87 dessas maquininhas. Hoje, temos 925 radares espalhados por todas as regiões da Capital, muitos estranhamente escondidos, diga-se.
Para obter sucesso em sua indústria de multas, Fernando Haddad diminuiu a velocidade dos carros nas ruas. Assim, ficou mais fácil flagrá-los em imensas ratoeiras tecnológicas.

Relacione outros problemas…
R. A Prefeitura é extremamente conivente com a invasão de terrenos públicos. Em vez de preservar a propriedade pública, Haddad mantém com o MTST e outras organizações do gênero, que ocupam de forma ilegal os terrenos, uma relação de incômoda promiscuidade.
Ressalto, ainda, a fragilidade do prefeito no recolhimento de mendigos e sem tetos das ruas, de forma humana e consequente.

Não há um ponto da cidade em que não tenham surgido barracos e acampamentos nos últimos anos.
E a questão do meio-ambiente. Como o senhor analisa?
R. Julgo que a suspensão do programa Controlar, que obrigava os veículos a passar por uma verificação prévia de emissão de poluentes, prejudicou o ar que respiramos.
A emissão de monóxido de carbono em São Paulo, que havia caído quase 50% em 2011, segundo dados oficiais, voltou a subir em escala geométrica.
Além disso, o prefeito faz vistas grossas à ocupação descarada de áreas de mananciais por grupos organizados, como o MTST, em especial na região da represa de Guarapiranga, na zona sul, uma das últimas do gênero na cidade. É mais esgoto em nossos recursos hídricos, numa era em que o mundo elegeu a preservação do meio ambiente como uma de suas prioridades.

Como vai a saúde do paulistano?
Mal. Haddad não cumpriu suas promessas de campanha. Inclusive já admitiu que não conseguirá, nem de perto, entregar o número de creches com o qual se comprometeu. Nenhum hospital foi construído por ele. Das Unidades Básicas de Saúde, só 10%. Apenas 5% das unidades médicas especializadas vingaram e só 5% dos CEUS foram entregues. O número de consultas nas AMAs diminuiu em 21%. Uma desgraça.
Concluindo…
R. Haddad decepcionou. Nada fez pela Capital bandeirante. Não está à altura desse desafio. As eleições municipais se aproximam. E ele deve deixar o cargo para o bem de São Paulo.

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