Inacreditável: Trabalhador é forçado a ser demitido por querer estudar!!!

José Carlos Clemente dos Santos é um homem simples, trabalhador. Há 30 anos mudou-se para a capital paulista em busca de melhores condições de vida. Nascido em 06 de abril de 1959 em Maceió, capital de Alagoas, sempre teve consigo a vontade de melhorar de vida a qualquer custo, independente de sua condição física ou até mesmo de sua idade.
Tanto é que há dois anos, José decidiu iniciar seus estudos. Ele não teve oportunidade de estudar antes na sua vida pois no sertão era difícil e mesmo depois de ter chegado aqui suas responsabilidades como pai de família o impediam de realizar esse objetivo.
“Lá em Alagoas a vida era difícil, cortávamos cana para ajudar a família a ganhar algum dinheiro para sobreviver, era complicado pensar em estudar por isso decidi me mudar para São Paulo”, disse José.
Antes de iniciar sua caminhada acadêmica, o companheiro teve algumas experiências profissionais, em 1992 ele trabalhou na empresa Billi Farmaceutica, na ocasião ele trabalhou ali por 6 anos saindo daquele local em 1998.
Depois de 13 anos, em 2009, José Carlos trabalhou como auxiliar de limpeza na empresa Starworks Serviços, porém o trabalhador não ficou nem um ano ali pois logo depois ele foi contratado pela empresa Lemam Construções e Comércio Ltda. A partir de então o companheiro começou a passar por alguns problemas.
No primeiro ano prestando serviços a esta empresa, José Carlos sofreu um grave acidente. Ele estava trabalhando na construção do CEU do Jd Paulistano na Zona Leste de São Paulo e ao segurar uma barra de ferro seu braço não suportou o peso e veio a ceder causando uma grave lesão à seu ombro.
“Eu estava junto com mais 3 pessoas porém a barra era pesada demais e eu não suportei, imediatamente o pessoal responsável me encaminhou ao médico. Fiquei 8 meses parado sem trabalhar e sem receber um tostão furado’, relembrou ele.
Felizmente, após entrar em contato com seus advogados o companheiro conseguiu vencer na justiça e receber seu direito, porém outro percalço ameaçou interromper a carreira de José. Desta vez trabalhando em uma obra no bairro de Itaquera, ele sentiu fortes dores na perna e foi diagnosticado uma Artrose na região.
O labutador ficou mais 10 meses parado e o pior. Até hoje ainda não recebeu um tostão furado.
“Até hoje eu não recebi nada por ter ficado parado por conta daquele acidente, ainda por cima eu trabalhei mais um mês direto e não recebi pagamento e agora eu também tenho uma complicação na coluna, mas não posso deixar de trabalhar”, explanou o pelejador.
José Carlos, apesar de todas estas dificuldades, não abandonou a luta. Ele é um exemplo de força de vontade, mesmo trabalhando arduamente, desde 2013 ele luta para iniciar seus estudos e é justamente por tentar se alfabetizar que nosso amigo e companheiro está passando por mais um momento difícil em sua vida.
O horário das aulas do senhor José começa às 19:00, porém sua escola fica longe do lugar onde ele está trabalhando atualmente, a obra fica próxima ao aeroporto de Congonhas e o local de estudo fica no Jd Paulistano (curiosamente é no mesmo CEU onde sofreu seu primeiro acidente).
José, para tentar conciliar tanto o estudo como o trabalho chegava ao ponto de abrir mão de 30 minutos de seu horário de almoço para sair mais cedo e assim chegar à tempo para as aulas.
“Mesmo eu me esforçando, abrindo mão de metade do tempo do almoço para tentar sair mais cedo do canteiro, eu ainda chegava lá em cima da hora e às vezes até chegava atrasado, pois eu pego mais de uma condução e também elas atrasam”, disse ele.
Infelizmente o responsável pela obra e principalmente pelo seu bolso, começou a impedir seu José de sair mais cedo pelos últimos dois meses, até que no dia 9 de novembro de 2015 (segunda feira) foi dado um ultimato ao trabalhador que não teve escolha, preferindo seguir o sonho de aprender.
“Eles me disseram que eu não poderia mais sair cedo e me mandaram escolher, ou estuda ou trabalha, aí eu disse que se o meu trabalho não estava mais servindo que eles me mandassem embora”, explicou o trabalhador.
José Carlos recebeu a carta de aviso prévio de dispensa da empresa Lemam solicitando ao companheiro que no dia 23 de novembro (também segunda feira) comparecesse ao canteiro de obra para receber orientações e providenciar a baixa na carteira.
Por conta deste absurdo, no dia em que o companheiro for ao local ele será acompanhado por uma das equipes de base do Sintracon-SP, para que lhe seja assegurado o pagamento de todos os atrasados e benefícios pendentes.
Mesmo tendo passado por tantas dificuldades, José Carlos não tira de sua cabeça a missão de se alfabetizar para que futuramente ele possa viver melhor, trabalhando porém em condições um pouco mais fáceis.
“Eu preciso do trabalho, mas principalmente do estudo. Daqui a alguns anos eu quero estar melhor de vida em um emprego melhor, estou com 59 anos mas isso não me impede de tentar alcançar uma qualidade melhor para mim”, completou o trabalhador.

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