Inflação, desemprego e a impotência do governo de Dilma Roussef

Nordeste é terra de gente sabida. Como muitos têm conhecimento, posso afirmar isso. Sou de Conceição do Piancó, lá no sertão da Paraíba. Tenho muitos contatos por lá. São amigos que me escrevem a todo instante, sempre questionando os problemas brasileiros.
Quando visito Piancó, a política está na pauta do dia. Divergências de opinião são respeitadas. E, entre uma talagada e outra (ninguém é de ferro), seguimos juntos pensando num Brasil melhor e mais justo.
Vem de Piancó a certeza de um companheiro de sol inclemente, próprio da região: “Acabaram com o Plano Real. Inflação subindo e emprego caindo. Você, amigo Ramalho, tinha antecipado tudo isso aqui na nossa terra”.
Não foi só em Conceição do Piancó que demonstrei tal convicção. Em meus artigos, sempre revelei o meu maior medo, o da alta da inflação. Mês sim, mês não, o percentual inflacionário pode até diminuir um pouco. Mas sempre cresce, levando consigo falta de trabalho para o nosso povo.
Pois bem. A taxa de desemprego no País, segundo o IBGE, acaba de atingir 9,5% no trimestre encerrado no último janeiro. E é o maior nível já registrado pela pesquisa, que começou a ser feita em 2012.
Com isso, o número de desempregados chegou a 9,6 milhões de pessoas. E quando se compara o semestre em análise com o mesmo período do ano passado (2015), o que vemos? Respondo: O número de desempregados subiu 42,3%, o que representa 2,9 milhões de brasileiros.
Para mim, cidadania é carteira assinada. E, nesse quesito, houve queda de 3,6% na análise entre os dois períodos em exame. Ou seja, pelo menos 1,3 milhão de pessoas passaram à informalidade, ou mesmo à marginalidade, nos trimestres pesquisados pelo IBGE.
E o que dizer do salário médio registrado na comparação? Óbvio que teve queda. Hoje, o trabalhador recebe, em média, R$ 1.939,00, quando em 2014 recebia R$ 1.988,00.
Vocações partidárias à parte, podemos afirmar, com base sólida, que o nosso Brasil vai de mal a pior.
Ao longo de 2016, o mercado de trabalho deve se agravar ainda mais, dada a perspectiva de profunda recessão da economia.
O prazo de recebimento do seguro desemprego dos demitidos há mais tempo se extinguiu. Com isso, mais de 2 milhões de chefes de família estão ao Deus dará.
Meus amigos de Conceição do Piancó. Meus amigos de São Paulo. Meus amigos de todo o Brasil. O modelo econômico da administração petista de Dilma Roussef acabou, foi para o espaço. A presidenta não tem força política alguma para mudar esse estado de coisas. Deveria sair. Fechar o portão sem fazer alarde. E com a leve impressão de quem já vai tarde…

Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

 

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