Investimento no setor de construção deve recuar 7% neste ano, prevê Fiesp

O PIB da cadeia da construção caiu 7,7% em 2015 e chegou a R$ 501,9 bilhões. O setor teve ainda redução de 461 mil postos de trabalho no período (-3,6%), segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A cadeia inclui construção formal e informal, indústria de materiais e de máquinas e equipamentos, comércio e serviços. Os investimentos feitos apenas em obras (habitação e infraestrutura) somaram R$ 617,4 bilhões, queda real de 7,6% em relação a 2014. Para 2016, a expectativa é de novas quedas para toda a cadeia e um novo governo pós-impeachment não deve mudar esse quadro, diz Fernando Garcia, consultor do Departamento da Indústria da Construção, da Fiesp. Ele prevê nova retração de 7% para os investimentos em obras no ano, além de queda superior a 5% para o total de pessoas ocupadas em toda a cadeia. “O negócio está feio”, diz. Garcia considera mais um período perdido, com obras paradas no âmbito federal, estadual e municipal. “E 2017 não está salvo, não”. Segundo ele, a página que se abriu para recomposição política não tem o fim da história contado e muitos dos protagonistas de hoje têm algum risco para o futuro. O quadro, diz, difere do impeachment do ex-presidente Fernando Collor, em que nada constava sobre o sucessor, Itamar Franco. “Não existe um ‘nada consta’ hoje. Isso que dá luz amarela para o futuro.” Em habitação, a queda forte dos depósitos na poupança e do ritmo de acumulação do FGTS – fonte de financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo – abre espaço para queda de 20% no número de unidades financiadas no ano. “Isso é algo que deve se estender até meados de 2017”, diz Garcia. Em obras públicas, ao lado da Lava-Jato, ele aponta a paralisia de Estados e municípios. Como exemplo, cita que os desembolsos para investimento em saneamento no primeiro trimestre do ano em São Paulo – o maior orçamento – foi de R$ 3 milhões. “Isso não conserta uma galeria, estamos andando para trás. Metrô, trem urbano, está tudo parado.” Ele diz ainda que somando todas as secretarias e governo indireto, que inclui estatais como a Sabesp, os investimentos em obras em São Paulo alcançaram algo entre R$ 45 milhões e R$ 50 milhões entre janeiro e março. “É como se o governo do Estado de São Paulo inteiro tivesse construído um prédio”, diz. “Não é só investimento federal que está travado por causa das grandes construtoras.” Na área federal, o problema de escassez de recursos começou a ficar mais grave na metade do ano passado, com o aquecimento da Lava-Jato. Ainda assim, havia muita coisa contratada de anos anteriores – finalização de aeroportos e construção de hidrelétricas. A queda de 7,6% dos investimentos em obras em 2015 foi grande, diz Garcia, mas ocorreu após um ano recorde – de 2013 para 2014, os investimentos subiram quase 8%. “O impacto maior de recessão e Lava-Jato se concentra em 2016 e no primeiro semestre de 2017.” Entre os riscos para a cadeia da construção, Garcia destaca a Lava-Jato e também a Operação Zelotes, que podem trazer “instabilidade à composição dos governos daqui para frente”. Para Garcia, os desafios da área econômica deixam o setor na “penúria”. “Do ponto de vista fiscal, se fosse só a União e as pedaladas ou se fosse só Estados e problemas de baixa arrecadação, estava até bom. Mas tudo junto é muito ruim. Vamos ter que encarar aumento de imposto e redução de despesa, o que é doloroso e independe de quem está no poder”, diz o consultor.

 

Fonte: Valor Econômico

siga-nos