Investir na Construção Civil é enxergar o desenvolvimento óbvio

Essa é mais uma da série de coisas que se aprende quando é tarde demais.
Fico sabendo pela mídia que para tentar reverter o pessimismo apontado pelos indicadores econômicos, a presidente Dilma Rousseff planeja apresentar medidas e propostas que ajudem a retomar o crescimento e animar a economia.
O plano já é tratado no Palácio do Planalto como uma espécie de “novo PAC” e tem como prioridade estimular o setor de Construção Civil.
Ora. A Construção Civil responde por cerca de 16% do PIB- Produto Interno Bruto Brasileiro. Trata-se, portanto, de um segmento econômico dos mais expressivos. A pergunta que não quer calar é: por que o governo petista de Dilma Roussef não viu isso ao longo de 2015?
Sim, pois no ano passado, as empresas do setor tiveram péssimos resultados devido à falta de possibilidade de investimentos, causando a demissão de perto de 500 mil profissionais da área em todo o Brasil.
A irresponsabilidade do governo lembrou exercício de cientista maluco querendo saber com quantas pernas uma aranha ainda pode andar antes de julgá-la surda.
Para o Planalto, a escolha pela construção civil se deve à capacidade do setor de – uma vez estimulado – reagir mais rapidamente e, com isso, criar empregos.
Percebemos, portanto, que a administração Roussef começa a enxergar o óbvio ululante, coisa que a cegueira pelo poder não permitiu ao longo de 2015.
“Temos plena consciência de alguns erros que cometemos e das dificuldades que precisamos vencer na economia, mas impopularidade não é crime. É um defeito, um problema que vamos seguir trabalhando para resolver”, disse, recentemente, o ministro da Casa Civil.
Ora, admitir erro é louvável. Mas não quando ele revela tanta incompetência. Aí torna-se algo a se criticar com veemência.
Aliás, um problema a ser resolvido de imediato é a quitação dos atrasos (de até quatro meses) no pagamento a empresas contratadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), autarquia que gerencia mais de mil contratos ativos e é dona do maior orçamento liberado pelo governo.
Golpe político
Com todo esse movimento, lógico, o governo quer melhorar sua imagem para continuar sonhando com um poder infinito.
Seria muito mais adequado -e sempre saliento isso -que se aprovasse a PEC da Moradia Digna.
Por essa PEC, o governo federal seria constitucionalmente obrigado a destinar 2% de seu orçamento para a construção de casas populares, independentemente de bandeira partidária. Já os estados e municípios, 1%.
A fórmula, prática e exequível, aí está. Mas a gula pelo trono máximo lá de Brasília impede Dilma e o PT de assim agirem.
Cabe a todo nós aguardar e torcer pelo melhor, pois ninguém quer ver o Brasil naufragando como está.

Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

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