Lembra do acidente no Itaquerão? Justiça pune engenheiro que reformou sítio de Lula!

Não caiu no esquecimento o episódio do acidente ocorrido na Arena Itaquerão, em novembro de 2013, e matou dois trabalhadores da Construção: Ronaldo Oliveira dos Santos e Fabio Luiz Pereira.

Leio nos jornais de hoje que o Ministério Público de São Paulo denunciou seis pessoas, entre elas engenheiros da Odebrecht, pela queda de um guindaste durante a edificação da obra.

À época, como presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo, estive no local para, de perto, entender o que de fato havia acontecido.

Antes de me tornar sindicalista, trabalhei em mais de 700 canteiros. E isso traz experiência. Fui entrevistado pela mídia. E não pestanejei para afirmar que não se tratava de acidente, mas de irresponsabilidade dos condutores do empreendimento.

Não deu outra. A Justiça entendeu que a acusação preenchia os requisitos formais exigidos, dando início a uma ação penal.

Relembra a Folha de S. Paulo, que dos seis trabalhadores envolvidos no propalado “acidente”, quatro trabalham para a Odebrecht e dois para a Locar, empresa terceirizada pela construtora para a operação dos guindastes.

Oficialmente, os réus respondem por causar desabamento combinado com resultado de morte.
Se forem condenados, eles podem chegar ao máximo de quatro anos de reclusão e mínimo de um ano. O que é pouco, diga-se.
A verdade é que se certas empresas pensassem mais na vida do trabalhador e menos no lucro, muitas vezes advindos de esquemas de corrupção, muito possivelmente a tragédia não haveria acontecido.
Querem um exemplo? Ou mais do que um exemplo, uma prova do que falo? Entre os indiciados está Frederico Barbosa, engenheiro de alto escalão da Odebrecht.
O leitor dirá que tal nome não lhe é estranho. Não mesmo, pois Barbosa foi quem conduziu as reformas no sítio do ex-presidente Lula, na aprazível Atibaia.
Não precisei de mais de dois anos de investigação para saber que os denunciados, cada qual a seu modo, concorreram para o conjunto que determinou a catástrofe na Arena Corinthians.
Está de parabéns o Ministério Público de São Paulo. O Brasil está mudando social, política e economicamente. Nós, da Construção Civil, esperamos que tais transformações preencham de responsabilidade as atuações de um setor tão importante.
O trabalhador da Construção Civil quer deixar na saudade o fato de pertencer à categoria que mais morre no Brasil vítima de acidentes.
Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB de São Paulo

 

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