Minha Casa,Minha Vida é a ruína do sonho da casa própria

Como presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo, sempre visito a base, os canteiros de obras, os profissionais que efetivamente constroem o Brasil com suas mãos e suor.
Nessas andanças ouço as principais reivindicações dos companheiros, exercício que dá a devida sintonia entre sindicato e categoria.
Em meus pronunciamentos, sempre pergunto quem, das centenas de operários, integra o programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.
Pois bem. Em anos, nunca encontrei uma pessoa sequer. Ou seja: quem constrói casa não tem condições de ter sua casa.
Julgo o Minha Casa como um projeto de caráter nitidamente eleitoral. É o PT querendo se manter no poder a qualquer custo. São inúmeras as evidências de que as construções, por si, são mal feitas, com engenharia feita às pressas, ou, como se diz no popular, nas coxas.
É muito comum saber, na mídia, de imóveis do programa governamental com rachaduras, infiltrações e mal acabamento.
É o sonho da casa própria virando pesadelo travestido de remendos e consertos sem fim.
Diante de tantos problemas, o consumidor procura a Justiça, claro. E a maioria dos casos que chegam aos tribunais é a respeito de vícios construtivos, falhas na construção da moradia.
Além de tudo, o Minha Casa fica à baila das oscilações da falta de governança que há no País.
Recentemente abordei, em artigo, que o atraso (significativo) das obras da terceira etapa do programa governamental afetaram -e muito -o setor da Construção Civil.
Julgo que a questão da moradia digna deveria ser tratada de forma constitucional.
Houve, inclusive, uma PEC -Proposta de Emenda Constitucional -apresentada pelo setor pouco antes da administração petista optar pelo Minha Casa, de forma eleitoreira, repito.
Por essa PEC, o governo federal destinaria 2% de seu orçamento para construir imóveis e, assim, minimizar e depois acabar com o déficit habitacional. Os governos estaduais e as prefeituras aplicariam, por força da Constituição, 1%, nos mesmos moldes.
Assim, o sonho da casa própria, comum à milhões de famílias, não teria bandeira nem cor. Ficaria imune à descontinuidade administrativa provocada pelo resultado de eleições. Ou seja: quem assumisse o poder teria de seguir a cartilha, forçosamente.
Infelizmente, o PT optou por levar vantagem. Pensou em voto e jamais nas necessidades reais do povo brasileiro.
O Minha Casa, Minha Vida, da forma como foi concebido, presta um desserviço à Nação, fraudando as expectativas da sociedade.

Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

 

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