Muzema – Poder paralelo, crime e consequências

Antes de ser sindicalista, trabalhei em mais de 700 canteiros de obras. Tenho, portanto, a necessária experiência para dizer que não há acidente. Tudo o que acontece de errado é produto de falha humana: desatenção, falta de qualificação profissional, não utilização de normas regulamentadoras de segurança, compra de materiais de baixa categoria por economia e, muitas vezes, falta de comprometimento com a sociedade e o ser humano.

 

Há, também, falta de vergonha na cara dos envolvidos. E isso se aplica muito bem ao desabamento de dois prédios na Muzema, comunidade na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

 

Lá, não há lei. O poder, pelo que leio, é paralelo, exercido por milicianos. O que acontece em Muzema não é do conhecimento dos poderes públicos legalmente estabelecidos pela democracia. Junta-se um bando de desocupados, que quer ganhar dinheiro fácil em cima da população, e é essa gangue que manda, contratando engenheiros, administradores, mão de obra e tudo o mais sem quaisquer critérios aceitáveis.

 

A milícia invade áreas públicas. Constrói prédios sem engenharia responsável ou documentos autorizando as edificações. Termos de posse são dados aos compradores por uma associação de moradores obviamente sob o domínio dos milicianos. Os criminosos criam conjuntos habitacionais dentro da comunidade. Vendem imóveis a R$ 25 mil. Para essa gente, como diria Dostoievski, Deus não existe. E se Deus não existe, então tudo é permitido…

 

Investigações dão conta que delegacias de meio ambiente relatam grilagem, desmatamento, parcelamento irregular do solo e diversos crimes ambientais.

 

Não se iluda, amigo. Isso é Brasil. Vamos esperar a contagem do número de mortos e feridos de uma população paupérrima e permanentemente ludibriada.

 

Ramalho da Construção

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo

 

 

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