“Não vamos aceitar reforma nas costas dos trabalhadores”

Centrais sindicais se mostraram revoltadas coms as declarações da presidente Dilma Rousseff, que, na quinta-feira, disse ser a favor de criar uma idade mínima para as aposentadorias.
“Ela provocou indignação quando citou que a idade média para se aposentar é de 55 anos. Usar este argumento é desconhecer a realidade de um contingente enorme de brasileiros que começam a trabalhar muito cedo”, disse o presidente da Força Sindical, Miguel Torres.
A central não descartou dialogar com outros sindicatos para organizar protestos contra a ideia do governo petista.
“Não vamos aceitar que, mais uma vez, para corrigir seus próprios erros, o governo faça uma reforma nas costas dos trabalhadores”, afirmou Torres.
Para o sindicalista, qualquer alteração precisa ser debatida com a sociedade. “No dia 16 teremos uma reunião no Fórum Nacional da Previdência Social. Não havia necessidade de a presidente lançar essa proposta antes de nos ouvir.”
MISTÉRIO
Miguel Torres defende que, antes de propor qualquer medida para onerar o trabalhador, o governo faça um raio-X da Previdência Social.
“Precisamos abrir a caixa-preta para saber de quanto é o rombo da Previdência (a estimativa é de um déficit atual de R$200 bilhões), quem deve, o quanto deve e por que deve. É preciso identificar onde está o problema e procurar saná-lo .
Não dá para culpar o trabalhador que contribuiu a vida inteira como se ele fosse o culpado por isso”, disparou o dirigente.
A CUT (Central Única dos Trabalhadores) também reagiu e divulgou nota afirmando que “o governo erra ao propor uma reforma na Previdência porque esse não é o desejo da classe trabalhadora”.
Segundo pesquisa do Instituto Vox Populi, 88% dos brasileiros são contra mudanças que podem penalizar o trabalhador. O Brasil tem hoje mais de 26 milhões de aposentados, dos quais 17 milhões recebem o benefício no valor de um salário-mínimo.

Fonte: Matéria do Jornal Diário de São Paulo 09.01.2016

 

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