Nota Pública: Por que não fizemos greve?

Trabalhadores e trabalhadoras da construção civil,

Nos últimos dias temos sido questionados, algumas vezes de forma desrespeitosa, para dizer o motivo pelo qual não paralisamos as obras, por meio de uma grande greve geral, utilizando a Lei de Greve.

Pois bem, primeiro importante explicar que a Lei de Greve (Lei 7.783/89), tem por finalidade específica a reivindicação de direitos, luta pela melhoria nas condições de trabalho, reajuste de salários e negociação de convenção coletiva. Enfim, via de regra, a Lei de Greve relaciona-se intimamente com demandas de natureza trabalhista, em grande parte de cunho econômico.

O momento atual não é esse, temos uma Convenção Coletiva em vigor e que já sofreu ajustes por meio de aditivo, em virtude do coronavírus.

Muitos foram os ganhos que beneficiaram os trabalhadores e visaram a proteção à saúde, bem como a manutenção dos vossos empregos.

Antes disso, o SINTRACON-SP já havia expedido ofício a mais de 30 mil empresas, exigindo que tomassem todas as medidas de prevenção baixadas pelos órgãos de saúde (álcool em gel, termômetros, ampliação e adequação dos lavatórios), além disso, todo nosso pessoal, em especial nossa equipe de base, realizou visitas às obras. E, aquelas que não cumpriam as normas de segurança e prevenção, foram imediatamente paralisadas. Após isso, felizmente, os gestores fizeram a adequação necessária.

Qualquer paralisação de nossos canteiros demandaria de uma determinação governamental, seja em âmbito municipal, estadual ou federal.

Além disso, a greve exige a convocação dos trabalhadores, para que decidam sobre sua deflagração em assembleia, e tal fato seria completamente incompatível com a necessidade de distanciamento pessoal que exigimos todos os dias.

Paralisar os canteiros seria medida extrema e certamente criticada por toda a sociedade, principalmente nesta hora em que novos leitos de hospitais são construídos às pressas e nossa mão de obra é essencial, para que pessoas sejam tratadas e vidas sejam salvas!

Diante disso tudo, deixamos a mensagem de que este sindicato está atento. E, em meio à crise vivenciada, nossa equipe não descansa. Permanecemos atuantes e defendendo cada um de vocês, zelando pela saúde e segurança de todos trabalhadores da categoria.

No entanto, na hipótese de determinação legal impondo nossa paralisação, acataremos e cumpriremos. E, dentro do que já foi negociado com o setor patronal e mais pelo que pudermos criar de alternativas, vamos garantir os seus direitos a fim de que nossa dor seja a menor possível.

A hora é de compreensão, de comunhão de pensamentos e de energia positiva. O ódio e o radicalismo nada trará de benefício a quem quer que seja.

Juntos somos mais fortes. Juntos somos invencíveis!

Grande abraço a todos, e que Deus proteja a humanidade!

Ramalho da Construção

Presidente do Sintracon-SP

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