O brilhante artigo de José Renato Nalini sobre a desindustrialização

Recomendo a leitura do artigo “Desindustrializar não é o fim”, de autoria do secretário de Educação do Estado de São Paulo, José Renato Nalini.
 
Ele foi divulgado em vários jornais, entre eles o Diário de S. Paulo em sua edição de 6 de outubro último.
 
Nalini se demonstra preocupado quando ouve que a indústria paulista não se preparou para a 4ª Revolução Industrial e que o sucateamento é inevitável.
“Parece que a concepção de indústria para São Paulo contemplou a função de atender a outras empresas. Só que as novas fábricas têm plantas elaboradas no exterior e, quando buscam o Brasil, não mais São Paulo, mercado saturado, não necessitam de uma peça fabricada em nosso Estado”, diz o secretário. E continua:
 
“Isso sinalizaria que o encerramento de atividades industriais prosseguiria até o esgotamento desse nicho. Não se pensou na revolução em marcha, que extinguiu profissões e mudou inteiramente a vida e o pensar humano nas últimas décadas?”
 
José Renato Nalini salienta ter recobrado seu ânimo quando leu o livro “O futuro da indústria no Brasil -desindustrialização em debate”, coordenado por Edmar Bacha e Mônica de Bolle, da Civilização Brasileira.
 
“É óbvio que desde 2010 a produção manufatureira doméstica patina”, constatou, para acrescentar:
“Enquanto a indústria mirrava, o setor de serviços cresceu. Há mesmo uma eficiência econômica na desindustrialização. A indústria de transformação, enquanto a tradicional murchava, cresceu 1,9%. A extrativa avançou 4,7% e a agropecuária 3,5%”.
Concordo com Nalini em gênero, número e grau quando ele afirma que o urgente é se reinventar.
 
“Precisamos investir mais em produtividade, sem acabar com o meio ambiente. Precisamos fornecer aos nossos jovens possibilidade para criação de soluções a problemas pequenos e triviais, mas que continuam a incomodar. Exemplo: todos produzimos mais lixo do que necessário. Se aproveitássemos, geraríamos uma economia considerável”, escreve o secretário.

Quem enxerga ao menos um palmo adiante do nariz sabe que muitas profissões desaparecerão no futuro próximo.
 
Pois bem. Para Nalini, diante de tal cenário, é preciso oferecer às novas gerações possibilidade de subsistir dignamente fazendo coisas prazerosas.
“O turismo é algo que pode ser um fator de desenvolvimento se levado a sério. Para isso é preciso recompor nossas paisagens e criar guias acolhedores.
 
Muitas outras ideias podem surgir na mocidade criativa e desafiada a repensar este País que tem tudo para dar certo”, conclui o secretário de Educação, que merece os nossos parabéns por sua acurada visão social. Leitura obrigatória!

Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

 

siga-nos