O conjunto de erros que derrubou Dilma Rousseff

Por 55 votos a 22, o processo de encaminhamento do impeachment da presidenta Dilma Rousseff  foi aprovado pelo Senado. Nessa entrevista, o sindicalista e deputado estadual pelo PSDB, Ramalho da Construção, expõe o seu pensamento sobre a delicada situação pela qual passa o Brasil.

 

 

  • O encaminhamento do impeachment da presidenta Dilma Rousseff  recebeu aprovação também no Senado. Como o senhor analisa a questão?

R. As expectativas do povo brasileiro foram acatadas. Dilma foi derrotada tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado por esmagadora maioria, com mais de dois terços dos parlamentares das Casas. Não há o que discutir. Sua administração foi devidamente apreciada, com ampla possibilidade de defesa, dentro das normas constitucionais. Resta ao governo petista o direito de espernear, o que fazem sempre dentro da filosofia de enganar a sociedade entoando canto de sereia.

  • O que o senhor pensa de Dilma?

R. Eu contestei Dilma Rousseff  desde o início de seu primeiro mandato. Ela era incapaz de dialogar com certos segmentos da sociedade, em especial os dos representantes de trabalhadores. Desrespeitou, com sua arrogância, as bandeiras de luta da classe trabalhadora, como, por exemplo, a da redução da jornada de trabalho para 40 horas, sem diminuição de salários. Sequer quis debater as querências dos trabalhadores, que constroem a nação. Escrevi diversos artigos a respeito. A meu ver, Dilma se deslumbrou com o poder. E pagou caro por tanta soberba.

  • Ela não tem perfil político, certo?

R. É bem o que penso. A gente chega numa idade, madura, e dispensa os adjetivos bom ou ruim. Para mim, Dilma não tem perfil adequado para o cargo de presidente. Não tem cintura política para manter uma base de sustentação. Não sabe ouvir e nem admitir possíveis erros. Sua impertinência como pessoa é decantada em prosa e verso. Recomendá-la a um segundo mandato, a meu ver, foi o erro capital do ex-presidente Lula.

  • Quando o senhor percebeu que a presidenta tinha dado o passo fatal para o derrocamento de sua gestão?

R. Quando, mesmo antes de assumir seu segundo mandato, ela mexeu em direitos dos trabalhadores. Em debate entre ela e o Aécio Neves, disse que não faria isso. Utilizou o termo “Nem que a vaca tussa”. Pois bem. A vaca tossiu. Pegou uma pneumonia e expectora inconstitucionalidades.
Fui um dos primeiros a alertar sobre o fato. A partir de então, sua equipe procurou atentar contra os trabalhadores. Propôs mexer na aposentadoria, e assim procedeu. Arquitetou uma sinistra estratégia para adulterar a Previdência Social. Possibilitou a volta da inflação e, com ela, a demissão de mais de 11 milhões de brasileiros. Fábricas e comércios começaram a fechar suas portas. E a situação passou a ficar fora de controle.

  • Dilma traiu a classe trabalhadora?

R. Sem qualquer dúvida. E se há uma coisa que o povo trabalhador desse país não admite é traição. Disse uma coisa e fez outra. Prometeu tranquilidade e semeou vendaval. Não deixou outra alternativa à sociedade a não ser tomar ruas, praças e avenidas do Brasil.

  • Vamos falar um pouco sobre os erros de Dilma que a levaram a cair em desgraça…

R. Creio que a explosiva combinação de crise política e econômica, que se intensificou no Brasil desde o início de 2015, colaborou, e muito, para o andamento do processo de impeachment. Isso somado, claro, pelas sucessivas denúncias de escândalos de corrupção meticulosamente construído por tijolos feitos de propinas.
Diante disso, houve manifestação clara por parte do povo, obviamente contrária. Só que a presidenta, menosprezou os efeitos causados pelos manifestantes. Assim procedeu por orgulho e, também, por achar que brasileiro tem memória curta e desiste fácil de seus intentos. Só que o cordão dos descontentes foi aumentando até beirar os três milhões.
Outro erro foi o de apostar em partidos sem porte e vínculo histórico para formar sua base na Câmara. Com isso, o PT em momento algum conseguiu formar uma maioria na Casa.
Mais um equívoco da presidenta foi a excessiva centralização dos destinos da política econômica na Presidência da República. Não logrou êxito. Dilma ficou sem apoio dentro de seu próprio governo para implantar mudanças urgentes e necessárias.
Mais erros…
R. Penso que a presidente, por ser centralizadora e não confiar nem em sua própria sombra, ficou sem um articulador político. Quando viu que a vaca estaca indo para o brejo, tentou colocar Lula para fazer o serviço, numa tentativa adicional de livrá-lo das mãos da Operação Lava Jato. Apesar de barrado na Justiça, o ex-presidente passou a atuar como articulador informal na tentativa de truncar o impeachment. Tarde demais, entretanto.

  • E as pedaladas fiscais?

R. O objetivo do Tesouro e do Ministério da Fazenda, devidamente encampado por Dilma era o de melhorar artificialmente o perfil das contas federais.
Para tanto, usou-se a abusou-se de propositalmente atrasar o repasse de dinheiro para bancos públicos e também privados, além de autarquias como o INSS.
Com isso, o governo petista apresentava despesas menores do que na prática, ludibriando, assim, o mercado financeiro.
Quando a tática foi descoberta, tudo foi para o espaço. O rombo das contas públicas ficou às claras. E era monumental.
A discussão deixou o campo econômico e foi para o político e judicial, nos quais as pedaladas são vistas como crime de responsabilidade fiscal.
O triste é que Dilma e o PT assim procederam por motivos eleitorais. Fizeram isso para se eleger, mostrando um panorama de céu de brigadeiro, quando a situação verdadeira era falimentar. Um estelionato, puro e simples.

  • E agora, com Temer?

R. O governo petista já começou a bombardear Temer, afirmando para os mais crédulos que ele vai mexer nas conquistas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.
Ora, os que se dizem de esquerda não entendem que melhorar a situação do povo mais humilde não é uma questão meramente ideológica, mas sim de uma política sem bandeiras, minimamente civilizada.
Espero que Temer faça um governo de coalizão nacional, pensando em tirar o Brasil desse verdadeiro abismo em que a esquizofrenia de Dilma e do PT colocaram o Brasil e seu povo.

siga-nos