O gol contra da Previdência

Quando em 1998, eleito presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo, tomei a decisão de lutar contra o absurdo índice de acidentes de trabalho nos canteiros de obras.
O trabalhador é o maior patrimônio de toda e qualquer empresa. Deve, portanto, ser protegido, pois vida não se recupera. Dentro de tal filosofia, o Sintracon-SP vem agindo e, assim, fazendo diminuir significativamente o número de ocorrências.
Todavia, o sistema composto pelas elites, que manda e desmanda no governo, aprontou mais uma das suas.
Segure-se na cadeira, leitor, pois o Conselho Nacional de Previdência Social determinou que, a partir de 2017, as empresas não precisarão mais comunicar acidentes de trabalho que levem a afastamento por até 15 dias. Também deixarão de comunicar todos os acidentes de trajeto.
Tal medida é absurda e inadmissível, pois vai mascarar ainda mais o volume de acidentes de trabalho em nosso País. A Força Sindical, da qual o Sintracon-SP é filiado, vai apresentar, com justiça, aliás, uma nota de repúdio contra a decisão.
O Brasil é nada menos do que o quarto país do mundo nas estatísticas de acidentes do gênero. Quer sair de tão vergonhoso posto fraudando números, é isso?
As notificações de acidentes de trabalho são usadas para o cálculo do FAP, o Fator Acidentário de Prevenção.
O fundo é calculado de acordo com a quantidade e a gravidade dos acidentes registrados em cada empresa.
Como o número de notificações vai cair, o recolhimento da taxa também cairá.
Mas há gente a favor da medida: os empresários, lógico, que deverão economizar entre R$ 2 bilhões a R$ 4 bilhões.
Segundo Marcelo Peres, conselheiro pela bancada dos trabalhadores do Conselho Municipal de Previdência do Rio de Janeiro, “estamos diante de ações que tentam enfraquecer a Previdência Social, que é direito do trabalhador e de todo cidadão brasileiro”.
E ele está coberto de razão, pois estão querendo favorecer os patrões e ao mesmo tempo provocar um rombo na Previdência Social, uma vez que os gastos com acidente de trabalho recaem no INSS, ou seja, em cima de toda população que paga impostos.
 
Uma vergonha!
  

 

Ramalho da Construção

 Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

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