O povo “adora” pichadores!

(*) Ramalho da Construção
Um dia, já faz algum tempo, fulano e suas economias decidiram, enfim, pintar a casa.
Foi de amarelo canário (hoje existem tantos nomes de cores na indústria, que não sei se o velho e lindo canarinho ainda existe) e, as portas e as janelas de branco, alvo.
‘A família ficou feliz, pois tal conquista custou suor e trabalho. A casa, na periferia de São Paulo, ficou singelamente linda.
Passaram-se duas noites, talvez. E, num amanhecer, quando fulano foi comprar o pão de cada dia na padaria da esquina, ficou horrorizado: o muro de sua moradia estava todo pichado, com símbolos, marcas e letras incompreensíveis.
Chamou a esposa, os filhos, os vizinhos. Foi difícil conter sua frustração e sua ira.
Mal sabia ele que estava diante de uma autêntica expressão de arte das ruas.
Sim, sua casa, segundo a opinião de alguns, poderia ser emoldurada e dependurada no Museu de Louvre, quem sabe ao lado da Gioconda, a Mona Lisa de Leonardo da Vinci. E pensar que quem elege a arte é o povo…
Mas para fulano, aquilo era vandalismo. Como gente honesta qual opinião de criança, ele logo viu que o rei estava nu, apesar de correntes contrárias.
A mesma situação, caríssimos, já aconteceu com beltrano ou sicrano, que tiveram a mesma reação de fúria, ou seja, isso é “molecagem de desocupados”.
Há duas coisas que a população não gosta. E posso afirmar quais são as duas sem pestanejar: pichador e marronzinho.
Digo isso e já posso imaginar uma chuva de “apoiado” nas redes sociais.
Os marronzinhos só aparecem para multar. Isso quando não se escondem atrás de árvore, poste ou banca de jornal…
Quando a coisa no trânsito aperta, cadê o marronzinho para ajudar?
O prefeito João Doria precisa enfrentar os pichadores e dar um puxão de orelhas nos marronzinhos. Quem diz isso é o chicote do povo.
Voltemos aos pichadores. Não respeitam sequer monumentos públicos, transformando-os, por vezes, em peças bizarras, tamanha a “imaginação”.
Ora, se o monumento é público, ele é meu e seu. E aposto que ambos não fomos consultados sobre a “ação cultural”.
Pichador é capaz de pôr bigode na Mona Lisa, caros.
Há também os grafiteiros, alguns deles realmente bons. Para esses, a meu ver, deveriam haver lugares específicos de atuação.
Mas pichador? Que vá pichar a casa recém pintada dos que os defendem.
São rebeldes? Pois bem. Mas a causa deles não é a do povo, não…
(*) Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

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