Opinião – 51% dos professores já foi vítima de violência

Engraçadinho nunca faltou em sala de aula. Lembro de meus tempos. A professora fazia a chamada e todos iam respondendo presente. Exceto o famigerado Correia, que, invariavelmente respondia presunto. Mas a transgressão não abalava a professora. Um dia, Dona Joceli convidou Correia a escrever presunto na lousa. Sem qualquer timidez lá foi ele deixar estampado, a giz, o seu presunto, isso mesmo, com z.
 
“Como o senhor Correia está sempre certo, vamos comunicar ao MEC a nova grafia, não é mesmo?”, fulminou a professora com certa indiferença.
 
Conto a história, de seis décadas atrás, para demonstrar a diferença da rebeldia entre gerações. Sim, pois pesquisa divulgada no último 27 de setembro mostra um cenário de insegurança dentro das escolas públicas. Segundo o estudo, 51% dos professores entrevistados já foram vítimas de violência. Os casos mais comuns são agressão verbal, discriminação e bullying, quando não há ataque físico.
 
O levantamento, feito pelo Instituto Locomotiva a pedido da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado), também apontou que 84% dos docentes afirmaram que a violência cresceu nos últimos anos.
 
O problema também se estende aos alunos. Segundo a pesquisa, 39% dos estudantes foram vítimas de algum tipo de violência. “Isso mostra um abandono do estado com quem está no processo de aprendizagem”, disse a presidente do sindicato, Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel.
 
Para ela, as ocorrências aumentaram devido a uma série de fatores, como superlotações nas salas, falta de funcionários e o corte de professores mediadores – o projeto tem como objetivo colocar um docente em cada escola para mediar, prevenir e entender as causas de violência.
 
“A violência é muito complexa e a melhor maneira de se evitá-la é pela cultura do diálogo”, disse o chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Educação, Wilson Levy. Segundo ele, a partir de outubro os vice-diretores das mais de 5 mil unidades receberão capacitação para atuarem como mediadores.
 
Eu gostaria de salientar que professor está na escola para ensinar. Quem deve educar são os pais. Daí se conclui que há algo de podre no reino das famílias brasileiras, formadas por gente humilde, normalmente desempregada, vendendo o almoço para comprar o jantar.
 
Em minha opinião, o Brasil e suas instituições têm culpa no cartório. Não dão exemplo. E, quando dão, é nas páginas policiais.
 
A evasão escolar é muito grande. O desemprego entre jovens é de alta incidência. O tráfico e a bandidagem se constituem num mar aberto, que não recusa nenhum rio. Cerca de 93% dos jovens não praticam qualquer atividade física. Saudades do Correia, apenas um palhaço inofensivo…
 
 
Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

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