Ramalho da Construção analisa a conjuntura do setor

O setor da construção civil vem dando sinais de recuperação após tanta crise?
 
R. Há alguns dados que permitem dizer que sim. Estudo da CBIC -Câmara Brasileira da Indústria e Comércio -afirma que o nível de utilização da capacidade de operação da indústria da construção subiu para 60% em janeiro e ficou dois pontos percentuais acima dos 58% registrados em dezembro de 2016. Com isso, a ociosidade do setor recuou para 40%, o menor nível desde julho de 2015, quando também ficou em 40%.
 
E a empregabilidade?
 
De acordo com a pesquisa, janeiro também registrou diminuição do ritmo de queda do nível de atividade e de emprego na construção. O índice de nível de atividade atingiu 45,6 pontos e subiu 6,3 pontos na comparação com janeiro de 2017. O indicador de número de empregados ficou em 43,9 pontos, ou 5,5 pontos maior do que o de janeiro do ano passado. Todavia, os dois indicadores continuam abaixo dos 50 pontos, o que indica queda na atividade e no emprego.
 
Há sinais de crescimento?
 
A minha análise é a de que os empresários estão pouco dispostos a investir, dado ao fraco desempenho da atividade e a ociosidade ainda elevada. Segundo a sondagem, o índice de intenção de investimentos ficou em 32,1 pontos em fevereiro, igual ao de janeiro, mas está 5,3 pontos acima do registrado em janeiro de 2017.
 
Falta confiança?
 
Esse tema também integra a pesquisa, demonstrando que o índice de confiança dos empresários da construção ficou em 57 pontos em fevereiro, ou seja, 0,9 ponto abaixo do de janeiro, mas continua acima da média histórica de 52,8 pontos. Há pessimismo, ainda. Mas os empresários apostam na melhoria dos negócios para os próximos seis meses.
 
Explique melhor…
 
Apesar do recuo registrado em fevereiro, os indicadores de expectativas continuam acima da linha divisória dos 50 pontos. Isto mostra que os empresários continuam otimistas e esperam o crescimento do nível de atividade e do emprego, de novos empreendimentos e serviços e da compra de insumos e matérias-primas nos próximos seis meses.
  
 
E a questão imobiliária?
 
Houve aumento de 9,4% no crescimento das vendas.Em 2017, diminuindo o estoque de imóveis. A indústria da construção credita isto à melhora nos últimos meses do saldo da caderneta de poupança (que financia a construção), animando o setor. Mas ainda não é suficiente. O aumento do desemprego durante a recessão afetou não só as vendas de imóveis, como também as compras financiadas que estavam em curso.
 
 
É aguardar…
Aguardar, especialmente, que tal palidez ganhe cores e resulte em mais postos de trabalho numa indústria que, sozinha, responde por 10% do PIB brasileiro.

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