Ramalho da Construção critica descuido em queda de estande da Cyrella

“Acidente” matou um operário e deixou outros cinco feridos.

O desabamento de um estande de vendas da obra de um prédio de alto padrão matou uma pessoa e deixou cinco outras feridas na manhã do último dia 22 de abril.
De responsabilidade da Cyrella, a construção está situada no bairro de Vila Olímpia, na Zona Sul da capital paulista.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP), Antonio de Sousa Ramalho, o Ramalho da Construção, compareceu ao local. E logo foi informado do falecimento do servente Antônio Soares do Nascimento, de 39 anos.
Entrevistado por diversos órgão de imprensa, Ramalho desabafou:
“É mais uma tragédia para a coleção da categoria do setor que mais mata no Brasil, o da Construção Civil. Não podemos tolerar tanta falta de responsabilidade dos agentes patronais. Soltam rios de dinheiro de propina para o governo federal, como está sendo comprovado na Operação Lava jato e, para seus trabalhadores, pagam salário de fome. Para garantir prazo de entrega de seus empreendimentos, terceirizam e até quarteirizam subempreiteiras. Obrigam os profissionais a jornadas extensas, de até 15 horas de trabalho, pagando horas extras normalmente por fora do holerite, ou seja, dinheiro não incluído para efeito de 13º salário, férias, FGTS e aposentadoria. Submetido a um verdadeiro massacre, essa gente morre, sem segurança e sem esperança de uma vida digna”, afirmou Ramalho, que também é deputado estadual pelo PSDB-SP.
As outras cinco pessoas foram socorridas apenas com escoriações leves e levadas a prontos-socorros da região. Todas as vítimas eram funcionários da obra. Não havia clientes no estande no momento do desabamento, porque o local passava por uma reforma.
Ao ser perguntado sobre o acidente ocorrido na rua Michel Milan, Ramalho ponderou:
“Não foi acidente, mas irresponsabilidade. Antes de ser sindicalista, trabalhei em mais de 700 canteiros de obras. Portanto, sei muito bem que acidentes não existem. É sempre falha humana. Falha de quem projetou, falha em compra de material de segunda categoria, falha de fiscalização e, acima de tudo, falta de comprometimento das construtoras para com o seu público consumidor. Esse empreendimento é de alto padrão. Ora, se um simples estande de vendas cai, qual a confiança na estrutura do edifício a ser construído…”, questionou Ramalho da Construção quando entrevistado.
O sindicalista decidiu que, no dia 25 de abril, Ministério Público, juntamente com o Sintracon-SP, farão uma inspeção detalhada no local da ocorrência.
Nosso sindicato acompanhará todo o processo de investigação de perto. E não poupará os responsáveis.
Vale ressaltar que a construtora Cyrela é a responsável pela construção do prédio de alto padrão no local, mas era a ICR Construção Racionais quem realizava a reforma do estande.
Ciclovia do Rio
Na ocasião, Ramalho foi questionado sobre a queda de parte de uma ciclovia no Rio de Janeiro, derrubada por uma ressaca do mar.
“Certamente a maré não tem culpa. Apenas cumpre o que determina sua natureza. Isso deveria, obviamente, ter sido levado em conta no projeto da obra. Triste saber desse acontecimento numa cidade onde serão realizados, em agosto, os Jogos Olímpicos do Rio. Trata-se de um vexame de dimensões internacionais”, disparou.

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