Ramalho da Construção e a reforma trabalhista

O que o senhor pensa da aprovação pelo Senado da Reforma Trabalhista?
R. Julgo que o governo deu um tiro no pé, pois esta reforma, a meu ver, não contribui para a geração de emprego. Contribui, sim, para aumentar ainda mais o desemprego, além de promover o crescimento da informalidade.
 
Explique melhor…
R. Ora, o que tira um País da recessão é o consumo. Todavia, temos aí mais de 14 milhões de pessoas sem trabalho, outras 10 milhões no subemprego e 60 milhões de endividados, com nome sujo na praça. Isso tudo num País onde a carga tributária é, ainda, uma das mais altas do mundo. Ou seja, no Brasil campeão de corrupção, o crédito é pouco, quase nenhum.
 
A reforma piora esse estado de coisas?
R. Sim, pois tem potencial de reduzir a renda do trabalhador em até 30%, aumentando a pobreza e, também, a falta de cultura, educação, saúde e índices de criminalidade. O orçamento do governo para saúde, educação e segurança pública, por exemplo, reduziu muito. O caos, portanto, está implantado e fortalecido.
 
São setores falidos. E, segundo pesquisas, a segurança continua sendo uma das maiores preocupações do povo, certo?
R. Em termos de segurança pública, estou certo que São Paulo é o Estado com perfil de maior investidor. E mesmo assim, apresenta um déficit de 30%. Em outros estados da União, tal déficit chega a 60%. Ora, uma Nação com fronteira extensa como a nosso, a constatação é absurda. Falta à polícia equipamentos modernos, viaturas, armamento de última geração. Pela fronteira entra droga e contrabando. E quem trafica tem armas de grande poder de fogo. Já quem as defende, portam armas rudimentares. Não dá para fazer frente. É preciso pensar a segurança em nível nacional.
 
Voltando à reforma trabalhista…
R. Pois é. Se o povo não tem renda, e a renda que tem é diminuída em 30%, como mencionamos, o governo tem sua arrecadação de impostos reduzida, a Previdência deixa de receber contribuição, pois a situação de pobreza fica em situação praticamente irreversível.
 
O que o senhor achou da sessão do Senado que aprovou a reforma?
R. O que o Brasil assistiu foi um espetáculo nada republicano. Houve um desesperado vale-tudo por parte do governo federal. Um governo com menos de 7% de aceitação popular, coalhado de graves denúncias morais, não tem condições, a meu ver, de mudar a CLT.
Mas há muito interesse em jogo, especialmente por parte das elites, que teimam em dominar o país sufocando a voz dos mais humildes, dos trabalhadores.
 
Foi uma arbitrariedade?
R. Entidades patronais circulavam livremente pelo Senado, enquanto as de trabalhadores foram barradas. Os sindicalistas ficaram sitiados. A liberdade abriu suas asas apenas para as elites que dominam o nosso País. Uma vergonha que se tornou mundial pois, no mesmo dia da aprovação, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgou a resposta a diversas perguntas feitas pelas centrais trabalhistas brasileiras, afirmando que a proposta do governo Temer viola convenções internacionais.
 
Quais?
R. Para a OIT, a proposta, durante a sua tramitação no Congresso, deveria ter obedecido à convenção 144, que exige audiências entre os representantes dos trabalhadores, dos empregadores e do governo, de modo a se chegar a uma maior quantidade possível de soluções compartilhadas pelas partes. Não houve diálogo algum.
 
Acordos coletivos?
R. No tocante a acordos coletivos, a diretora da OIT, Corinne Vargha, afirmou que o Estado tem a obrigação de garantir, tanto na lei como na prática, a aplicação efetiva das convenções ratificadas, motivo pelo qual não se pode rebaixar por meio de acordos coletivos ou individuais a proteção estabelecida nas normas da OIT em vigor em um determinado país.
 
Esperanças para o trabalhador?
R. Esperamos que o presidente Michel temer vete alguns pontos da reforma trabalhista, como vem prometendo às centrais trabalhistas. Em particular, eu tenho a esperança de que o País volte a crescer, pois, em meus 68 anos de vida, nunca vi crise institucional igual. A corrupção campeia livremente em todos os setores da nossa sociedade. Só existe político corrupto se houver empresários corruptos. Só se rouba celular se há receptor. Só se vende CD pirata se tem comprador.
 
Conclusão?

 

R. É urgente. O organismo do Brasil precisa de um antibiótico que extermine com a infecção generalizada da corrupção em todas as camadas sociais, políticas e econômicas.

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