Senado deve votar saída de Dilma só em 15 de maio

Caso a Câmara autorize a abertura do processo de impeachment no domingo, o possível afastamento da presidente Dilma Rousseff poderá ficar para meados de maio. Responsável pela definição do rito de tramitação do processo no Senado, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), tende a postergar a apreciação do caso. No impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, o Senado levou apenas 48 horas para analisar e votar o afastamento. “Tudo tem o seu tempo. O impedimento também. É importante que se observem os prazos”, disse ontem Renan, que está sendo pressionado pelos partidos de oposição a acelerar a tramitação. No entorno do vice-presidente, Michel Temer, principal beneficiário do impeachment, há preocupação com os movimentos de Renan. Seus aliados acreditam que seria possível levar apenas uma semana para tomar uma decisão. Eles temem que o rito estabelecido adie a definição para uma data próxima de 15 de maio e, nesse intervalo, surja um fato novo que inviabilize a posse de Temer. A preocupação da oposição é também que o país fique ingovernável, uma vez que a presidente Dilma, já abalada por um possível impedimento decretado pela Câmara, não tenha condições políticas de tomar medidas para enfrentar a crise. “Nesse período, o risco é de que ocorram movimentos especulativos [na economia] que prejudiquem o país”, explicou um aliado do vice-presidente. A crise política desvia a atenção da gravidade da economia. O governo, segundo apurou o Valor, amargou nova queda real, superior a 4%, na arrecadação tributária de março, quando comparada à do mesmo mês no ano passado. Os dados ainda são preliminares, mas indicam que não houve mudança na trajetória registrada desde o início do ano. O mais grave é que o resultado acumulado da receita tributária federal no primeiro trimestre deste ano apresentou crescimento nominal de pouco mais de 1% na comparação com igual período de 2015. Descontada a inflação, a queda real da receita foi expressiva. Medidas para enfrentar essa situação estão paradas no Congresso, porque governo e oposição só se preocupam com o impeachment.

Fonte: Jornal Valor Econômico

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