SÉRIE APOSENTADOS – Perdeu a visão, mas não a vontade de trabalhar

18/01/2017- Assessoria de Imprensa
 
Salviano Batista dos Santos tem 64 anos e dedicou mais de 45 a construção civil. Ele, com muito orgulho, permanece com suas origens nordestinas e dedica boa parte do dia ao trabalho, seja na empresa onde trabalha ou em casa cuidando de sua família.
 
Acidente
Por falar em trabalho, foi se dedicando a ele que Salviano perdeu a visão do olho direito. “Eu estava carregando várias madeiras pesadas de um lado para o outro. Uma delas, infelizmente, bateu no meu olho direito e eu perdi a visão”, conta o companheiro.
 
“Antes, há muito tempo, não era obrigado usar os equipamentos de segurança. Tinha gente que trabalhava de chinelo e sem nenhuma proteção. Talvez, se eu estivesse usando óculos, teria a minha visão 100%”, lamenta Salviano.
 
A exigência de um ambiente seguro e saudável nos canteiros de obra,  é uma preocupação constante do presidente do Sintracon-SP -Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo, Antonio de Sousa Ramalho, o Ramalho da Construção.
 
“Em função das histórias como a de Salviano, o Sindicato não deixa de lutar pelo uso dos EPC’s -Equipamentos de Proteção Coletiva -nos canteiros de obras. Sempre alertamos, através de boletins informativos e eventos, a importância da segurança no ambiente de trabalho”, afirmou o presidente Ramalho.
Início e saída do Nordeste
Nascido em Piatã, município mais alto e frio da Bahia, Salviano deixou seus estudos para trabalhar na roça. Com 16 anos, decidido em buscar novas oportunidades, mudou-se para São Paulo com sua amiga de infância. Amiga que dois anos depois deu à luz ao seu primeiro filho, dos 10.
A família é grande. Além dos 10 filhos, o nordestino tem 15 netos e um bisneto. “É indescritível o sentimento que tenho por eles, só sei que são tudo para mim”, frisa, emocionado, o baiano.
 
Trajetória profissional
O primeiro emprego na “terra da garoa” foi de poceiro. Logo depois, ainda bem jovem, virou carpinteiro. Devido a proatividade que sempre teve, foi chamado para ser encarregado de fundação. Foram muitos anos no cargo. Como ele é curioso, aprendeu diversas funções no canteiro de obras. Por isso, tornou-se pedreiro em seguida, função que pratica até hoje.
 
Salviano, na semana passada, estava no Sintracon-SP para verificar o processo de aposentadoria no departamento jurídico. Ele conta com a assistência do sindicato para aposentar-se.
 
“É bem burocrático todo esse procedimento. Os advogados sempre me dão atenção e ajudam. Sei que neste caso não será diferente. Minha aposentadoria está quase saindo, não vejo a hora de descansar”, salienta o companheiro.
 
Luta
Salviano é um dos trabalhadores que vai prestigiar o ato de defesa dos trabalhadores organizado pelo SINDNAPI -Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos -no dia 25 deste mês, às 9 horas, na Rua do Carmo, 171.
 
“Não acho justo o Governo Federal jogar no peito do trabalhador a responsabilidade de safar-se do rombo da previdência. Se os governantes roubaram todo esse tempo, a culpa não é nossa. Portanto, sou contra a Reforma na Previdência”, conclui Salviano.
 
LEGENDA:
Salviano, sobre ser pai: “É indescritível o sentimento que tenho por eles, só sei que são tudo para mim”

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