Temer, qual pena ao vento

Dizia o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues que o ser humano é o único que se falsifica.
É a mais pura verdade. Peguemos, como exemplo, um hipopótamo.
Qualquer um há de conferir que ele nasce hipopótamo, cresce como hipopótamo e, por incrível que pareça, morre como hipopótamo.
E que ninguém se iluda. A girafa há de sempre ser pescoçuda…
No reino vegetal, as coisas ocorrem de forma absolutamente igual. Nunca se viu um pé de laranja deixar de ser um pé de laranja.
O ser humano, não. Muda o tempo todo como a posição das nuvens no céu.
É o caso do vice-presidente da República, Michel Temer, do PMDB, que amenizou seu discurso contra a volta da CPMF ao afirmar ser favorável à cobrança do tributo caso ele seja temporário.
Temer defende, portanto, a existência da meia virgindade…
Vale lembrar que o agora mutante chegou a recusar um pedido da presidente Dilma Rousseff para que ajudasse a articular, no Congresso, a aprovação da recriação do imposto.
Vaidoso, Temer se mostrou magoadíssimo por não ter sido avisado sobre o plano, anunciado em coletiva de imprensa pela equipe econômica do governo.
Se antes ele havia dito a empresários que não acreditava na aprovação do tributo no Congresso, agora afirma que a articulação do Palácio do Planalto com estados e municípios aumentou a chance de o imposto passar pelos deputados e senadores.
É de se perguntar: Quanto vale uma opinião de Michel Temer? Alguém compraria um carro usado por ele?
Temer dança conforme a música, mesmo que seja a Marcha Fúnebre de Frederic Chopin…

Ramalho da Construção
Sindicalista e deputado estadual pelo PSDB-SP

siga-nos