Tragédia em obra da construtora São José mata dois operários

Dois operários da Construção Civil morreram após a queda de um andaime instalado no 14º andar de uma obra de responsabilidade da Construtora São José, localizada na Rua Frederic Chopin, número 240, em Pinheiros, Zona Oeste da Capital paulista.
Trabalhadores do canteiro informam que Gilmar Vale dos Santos, uma das vítimas, estava trabalhando no último pavimento da obra, instalando pré-moldados em cima de um andaime.
Segundo eles, as condições não eram muito seguras. Ventava bastante. E, com isso, telas de proteção ficaram presas no andaime que caiu, atingindo José de Deus Dourado, operário que passava naquele instante no andar térreo.
“Não houve possibilidade alguma de reação por parte das vítimas. As mortes foram instantâneas. Informações colhidas pelo Departamento de Base do nosso Sindicato, no local da tragédia, dão contas de que agentes da construtora manipularam o lugar em que o andaime estava instalado”, afirma Ramalho da Construção, presidente do Sindicato. Ele continua:
“Trabalhei em mais de 700 canteiros de obras antes de me tornar sindicalista. Portanto, tenho a experiência necessária para afirmar que acidentes não existem. O que ocorreu, de fato, é decorrência da irresponsabilidade dos patrões, que não ligam a mínima para a vida do trabalhador. Sabemos, também, que os companheiros vitimados eram terceirizados. Pertenciam aos quadros de funcionários das empresas Malaquias Gessos e Constata Construções. Não vamos sossegar enquanto a justiça não for feita nesse lamentável caso”, salienta Ramalho.
O sindicalista revela que o Sindicato por ele dirigido já se colocou à disposição dos familiares das vítimas para toda e qualquer providência necessária.
“Infelizmente, o setor da Construção Civil é o que mais mata no Brasil. É preciso que os órgãos competentes aumentem a fiscalização, pois maus empresários, em sua interminável gula por lucros, não se importam em vender o sangue de seus recursos humanos. O tratamento dispensado aos trabalhadores é de gado. Desumano e incompatível com as relações entre o capital e o trabalho. Além de nem sempre fornecerem equipamentos de proteção, ou mesmo exigirem o uso deles, esses empresários obrigam o trabalhador a uma excessiva jornada de trabalho, de 15 horas ou mais, sempre pagando por fora do holerite, ou seja, o montante acaba por não ser contemplado em férias, 13º, FGTS e aposentadoria. Uma vergonha”, desabafa Ramalho da Construção.
Histórico da São José é de empáfia
O sindicalista, que também é deputado estadual pelo PSDB-SP, diz que o histórico da construtora São José é recheado de problemas. Seus dirigentes sempre procuraram coibir as relações entre o Sindicato e os trabalhadores. Chamam a polícia e se cercam de seguranças. Só constroem prédios de alto nível. A edificação onde ocorreu a tragédia tem três torres e 270 profissionais construindo apartamentos de luxo, que chegam a 500 metros quadrados de área e custam de R$ 15 milhões a R$ 30 milhões, segundo os trabalhadores.
“Se os cartolas da São José montassem todo esse aparato, algo militar, para proteger a integridade de seus funcionários, seria bem melhor”, fulmina Ramalho da Construção.
O setor de Base do Sindicato, o Sintracon-SP, fez assembleia com os trabalhadores da obra na manhã de hoje (7/7). Pretende a realização de greve por tempo indeterminado. Além disso, a entidade já acionou a DRT e o MP para analisar o caso detidamente.

Santos 3

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